Espionagem em sala de aula, constrangimento, coação, assédio e desrespeito ao direito de imagem

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Inicia-se em escolas públicas do Município do Rio de Janeiro mais um instrumento de coação e assédio aos profissionais de sala de aula. Com o objetivo de tentar demonstrar a ineficiência do professor, Cláudia Costin inaugura agora o chamado método Stalling. Consiste em enviar um observador para as salas de aula, que fotografará 10 momentos da aula por 15 segundo para, segundo eles, medir o tempo usado em classe para a construção do conhecimento. Ainda segundo a secretária, o objetivo é utilizar o método da observação para ajudar a desvendar a caixa preta da sala de aula e melhorar a performance do professor. Então façamos algumas observações.

1. Em primeiro lugar não precisa gastar a fortuna que certamente será paga a Fundação Lemann, empresa responsável pelo projeto, para  ter esta informação sobre a sala de aula. Basta uma pesquisa com os próprios professores. Mais uma vez, no lugar de gastar diretamente na educação pública, o governo vai repassar nossas verbas à iniciativa privada.
2. Dito isto, vamos então ao que de fato pode melhorar a performance do professor: Menos alunos em sala de aula, tempo para planejamento, contratação de mais profissionais, presença de profissionais como psicólogos, assistentes sociais e outros para acompanhar os problemas dos alunos, aumento salarial para que o professor não precise fazer duplas, triplas e muitos outros etecéteras.
3. O artigo 5º, da Constituição garante  o direito de imagem é inviolável, assim como  a proteção à reprodução de imagens.
4. O constrangimento que este projeto criará em nossas aulas também está previsto no código penal.
5. A presença de pessoas estranhas em nossas aulas, sempre dispersa a atenção dos alunos prejudicando assim o desenrolar das mesmas.

Mas o objetivo verdadeiro que vem desenvolvendo a senhora Costin é o de privatizar a educação no nosso município, favorecendo amigos empresários. E para isso precisar provar o quanto somos “incompetentes”. Desqualificar nosso trabalho e destruir qualquer possibilidade de reação de nossa categoria.

Nós não podemos permitir!

Por isso professor, não se intimide. Você não é obrigado a aceitar em sua sala de aula, ninguém que vá fazer o trabalho de espionagem, rompendo com princípios de sua autonomia e com aqueles que regem a constituição brasileira. E se houver qualquer tentativa de coação, assédio moral no sentido de te obrigar a aceitar esta violação a seus direitos. Ligue para o SEPE, chame o seu representante.