Turno da noite não será fechado na EE Francisco Portugal

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A mobilização dos professores fez com que a Secretaria de Estado da Educação – SEED voltasse atrás e não fechasse as turmas da noite na Escola Estadual Francisco Portugal, localizada no conjunto Augusto Franco.

Na noite da última segunda-feira, 02, professores e estudantes foram surpreendidos por portões fechados e um aviso de que as aulas somente retornariam a partir do dia 16 de agosto. Insatisfeitos com a falta de diálogo entre a comunidade escolar e, aflitos com a possibilidade de as turmas ofertadas no horário da noite serem canceladas, os professores se reuniram e foram até a Secretaria da Educação.

O argumento da coordenação da escola, corroborado pela SEED, é que não havia matrículas suficientes para manter as turmas. Os professores lembraram que essa problemática não é nova e que foram eles que em semestres anteriores fizeram campanha pelas ruas e até na feira no Conj. Augusto Franco para que as cadeiras disponíveis na escola fossem ocupadas. Tarefa árdua, porém satisfatória. “O EJA não pode acabar, vários alunos de idades avançadas só podem estudar nesse horário”, relata Adelson Aquino, professor de Geografia.

Na reunião que contou com as presenças do secretário titular, Belivaldo Chagas, Hortência Araújo, secretária adjunta, membros da direção do SINTESE e professores da escola, foi garantida que as aulas do horário da noite estão garantidas.

Para o SINTESE que a garantia da manutenção das turmas do Francisco Portugal pelo secretário seja o início de uma mudança de postura administrativa da secretaria em relação ao turno noturno e também a Educação para Jovens e Adultos.

Fechamento irresponsável
A gestão passada, vale frisar, de forma irresponsável fechou várias turmas e não fez cumprir o papel da Educação de Jovens e Adultos que é atrair os alunos para as escolas, tanto para serem alfabetizados quanto para finalizar os estudos na Educação Básica. “Nos últimos anos a política da SEED era de fechar os turnos da noite nas escolas da rede estadual, exemplo emblemático disso é o Atheneu Sergipense”, disse Jucineide Correia Maia, diretora do departamento de Base Estadual do SINTESE.

O fechamento das turmas e a inexistência de uma política de incentivo para o aluno permanecer na escola tem feito as matrículas da rede estadual despencarem, com conseqüências diretas na queda da receita. Nos últimos dez anos a rede estadual perdeu mais de 100 mil alunos.

Debate
Para o SINTESE é preciso que haja um amplo debate com participação de professores, Estado e universidade na busca da erradicação do analfabetismo em Sergipe. “Temos hoje 31% da população a partir dos 15 anos de analfabetos, esse é um número altíssimo se considerarmos os recursos disponíveis para nosso Estado. É preciso uma mudança de postura por parte do Estado para que esse problema seja resolvido de uma vez”, disse Roberto Silva dos Santos, diretor do departamento de Base Estadual do SINTESE.