Marinha recua na venda de mangue

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RecifeDepois de iniciar um processo de transferência de uma área de 320 hectares (com 225 ha de mangue), a Marinha do Brasil anunciou a revogação da licitação. Tudo indica que o mangue passará para a Prefeitura do Recife, que decretou a área de interesse público. Um projeto municipal prevê a criação do Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro – em homenagem ao médico pernambucano que estudou a fome e cunhou a expressão homem-carangueijo (em referência aos catadores que tiram seu sustento na lama do mangue).

A divulgação da licitação marcada para o dia 21 de dezembro pelo 3º Distrito Naval da Marinha provocou reações em cadeia. A prefeitura e Câmara do Recife, governo e assembleia de Pernambuco, ministérios públicos estadual e federal, militantes em defesa do meio ambiente e comunidade acadêmica se manifestaram. Todos procuravam formas de se reverter o processo.

A decisão do vice-almirante Aírton Teixeira Pinho Filho levou em conta a manifestação formal da Prefeitura do Recife em trocar a área onde funcionou até 1990 a rádio base Pina por outros terrenos em poder do município. O próximo passo será tomado pelo comando do 3º Distrito Naval, que apresentará o perfil dos imóveis que deseja em troca dos 320 ha que possui no estuário dos rios Jordão, Pina e Tejipió. A instituição pede a intermediação do Ministério Público Federal nas negociações.

O mangue urbano situa-se em uma das regiões que mais se valorizam no país. Está na Zona Sul do Recife, a menos de 200 metros do mar. Nas suas vizinhança, verifica-se um boom imobiliário. Há construções de todos os tipos: desde condomínios de luxo, apartamentos populares, edifícios empresariais e shopping center. O valor do metro quadrado construído de um imóvel no bairro de Boa Viagem, um dos bairros beneficiados pelo mangue, é de R$ 6 mil.

Sobre uma parte do futuro Parque dos Manguezais Josué de Castro passará a Via Mangue, um elevado que tem como missão melhorar o fluxo de carros de uma capital escolhida para ser sede da Copa de 2014. Abaixo do conjunto de viadutos, uma nova opção de lazer esperará os interessados em fazer turismo ecológico – conforme o projeto do parque. (Celso Calheiros)

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