Hospitais particulares, atendimento pediátrico e a lógica perversa do capitalismo

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Os hospitais Primavera e Renascença continuam sem atender as crianças, mesmo robertosantosem casos de emergência. A decisão da Justiça federal dando prazo para reabrirem a Pediatria até 31 de Dezembro 2010 não foi cumprida pelos hospitais. Por enquanto, a única punição determinada pela Justiça foi multar os hospitais Primavera e Renascença, em R$ 10 mil, por dia caso descumpram a decisão. O hospital São Lucas também fechou as portas para as crianças, mesmo com seus pais pagando.

Os hospitais decidiram fechar a Pediatria alegando que não tem pediatras suficientes no Estado. Já a presidente da Sociedade Sergipana de Pediatria Glória Tereza, se mostrou preocupada com a situação e reforça que existem profissionais suficientes para o atendimento nos hospitais. Segundo Glória, faltam melhores condições de trabalho e salário para que esses profissionais continuem na pediatria dizem que os principais problemas são, a baixa remuneração e a falta de UTI. Juntos esses hospitais atendiam em média, cerca de quatro mil crianças por mês.

Em Sergipe, dos hospitais privados apenas o hospital da Unimed atende as crianças. A rede pública está sobrecarregada, só o Hospital João Alves o atendimento no setor da pediatria cresceu 70% em dezembro 2010. Uma realidade que precisa ser alterada imediatamente.

Na última segunda 03 de Janeiro de 2011, a Advocacia Geral da União entrou com um pedido na Justiça para que os diretores dos hospitais particulares também sejam multados. Nesta quarta, dia 05 a decisão proferida pelo juiz substituto da 2ª Vara Federal, Fernando Stefanio, o Hospital Renascença foi multado em R$30 mil diário para o Hospital Renascença caso não reabra a pediatria em 48h. Já o hospital Primavera a decisão ainda não saiu, mas esperamos que seja feito algo imediatamente.

Talvez a intervenção do Estado seja a solução para resolver o problema. Se a rede hospitalar privada está dando prejuízo, é o Estado quem deve assumir a responsabilidade para que a população não seja punida, isto é, nossas crianças. Como o Estado não visa garantir o lucro e os donos dos hospitais estão visando apenas isso, sem qualquer preocupação com a vida das pessoas, o Estado deve intervir nessas unidades hospitalares urgentemente.

Os serviços essenciais são concessões públicas. O descumprimento desses serviços significa descumprimento de contrato, portanto passível de intervenção. A lógica que é posta para a sociedade atual de dominação capitalista merece nossa especial atenção. O capital está transformando serviços essenciais (educação, saúde, segurança, lazer) em lucro. Entretanto, quando esses serviços não garantem os lucros esperados a população é quem sofre, pois acabam suspendendo o atendimento inesperadamente como aconteceu em Sergipe.

Com para as elites brasileiras, tudo funciona apenas para visar o lucro e a saúde é mais um elemento desse negócio. Entretanto, se uma ação irresponsável como essa coloca em risco a vida de centenas de pessoas, isso não importa. O lucro é o centro de tudo. No caso de Sergipe, mesmo pagando a população não pode utilizar os serviços. O luxo e a riqueza nos hospitais-palácios não são suficientes para ter um bom atendimento.

O patrono dos médicos o evangelista São Lucas com certeza não está abençoando situação dessa ordem. E não é só na medicina que o modelo capitalista avançou, o imperialismo transformou o gentil São Lucas em São Lucros. A verdadeira revolução que o homem pode fazer é pensar, e pensar é saúde. A perversidade do modelo capitalista vai no sentido contrário. Visa apenas excluir, adoecer; extorquir, torturar… E, se ainda o resultado for ineficiente, arma-se uma guerra. Assim, o lucro será maior ainda.

Para os capitalistas, saúde em qualquer lugar é o mesmo que doença e é a doença das pessoas deve ser explorada para lucrar. Entretanto, o conceito de saúde deve mais amplo. Devemos compreender a saúde através de um conjunto de ações: educação, prevenção, informação, atendimento adequado às doenças, água, esgoto, transporte, meio-ambiente sem contaminação, justiça social, reforma agrária, direitos, salários dignos, democracia…

A saúde deve ser pensada para garantir qualidade de vida a todos e não apenas tratar quem está doente. O pensamento dos donos dos hospitais particulares pretendem apenas lucrar alto e ter uma vida tranqüila no futuro. Entretanto, que traquilidade é essa quando usa a vida das pessoas para conquistar a tão sonhada qualidade de vida?

E salve o Deus Capitalista!