Secretaria da Educação mantém “Alfa e Beto” e revolta a Direção do SINTESE

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alfaebetoO anúncio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), no seu site, que está promovendo capacitação para Alfa e Beto e Programa Ensino Estruturado foi recebido com indignação pela Direção do SINTESE. Segundo informações da Seed será realizado no período de 17 a 20 de Janeiros a capacitação dos programas Alfa e Beto e Ensino Estruturado. O curso ocorrerá no horário das 8h às 17h, no Colégio Estadual Tobias Barreto, em Aracaju.

Nessa política de pacotes adotada pela Secretaria, o Estado propõe a extinção de todas as turmas regulares do 1º ao 5º ano, transformando-as no “pacote” educacional Alfa e Beto. “Transformar as turmas regulares em Alfa e Beto acarretará um grande prejuízo para a educação pública de Sergipe. Já existem estudos promovidos por estudiosos de Universidades de todo país provando que esses pacotes educacionais não contribuem em nada para a Educação”, disse a presidenta do Sintese, Ângela Melo.

Para a Direção do Sintese essa política vai de encontro a tudo que vem sendo construído na educação pública nacional. A Seed, com essa ação, fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, bem como toda concepção educacional progressista presente no país. Pela proposta da Seed, com a implementação do pacote chamado de Ensino Estruturado, todos os professores serão obrigados a trabalhar com um livro didático, comprado com dinheiro da educação estadual.

Além do engessamento da autonomia do professor em sala de aula, o “material didático” oferecido pelo pacote é construído para uma realidade completamente diferente da nossa, isso sem contar os erros gráficos e de informação contido nos livros.

Nos livros do ano passado foram identificados vários erros. O que é grave para o Sintese é que mesmos com os erros encontrados, o Estado de Sergipe manterá os livros que serão utilizados nas escolas estaduais no ano 2011. Um crime contra os estudantes.

Desperdício

O que deixa a Direção do Sindicato indignada é que a Secretaria de Educação tem mostrado para a população as dificuldades financeiras para reforma escolas e mantê-las com material didático, mas mantém a política de comprar livros cheios de erros a preço de ouro, num claro desperdício do dinheiro público. Todas as escolas estaduais podem receber livros comprados pelo Ministério da Educação – MEC, que são escolhidos pelos professores.

O Programa Nacional do Livro Didático – PNLD, coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE dá ao professor o poder de decidir qual o livro mais adequado para o perfil de seus alunos. O livro escolhido pelo professor é o que o FNDE compra e manda diretamente para as escolas sem nenhum ônus para o Estado. Essa política do Governo Federal é importante, pois garante ao professor a autonomia para ensinar seus alunos a partir da concepção pedagógica que ele defende.

“Entretanto, a Seed, em vez de investir em reforma de escolas e compra de material pedagógico para auxiliar os professores no trabalho docente, gasta milhões na compra de novos livros com qualidade duvidosa. O que é mais grave, esse material é comprado sem consultar os professores e fora da realidade dos alunos”, disse Roberto Silva, diretor do departamento de Assuntos da Base Estadual do Sintese.

Gestão Democrática

Para a Direção, os educadores devem resistir e não aceitar essa imposição autoritária da Secretaria de Educação. Mesmo com a mudança de secretário, infelizmente, a política educacional continua sendo a mesma: imposição das políticas educacionais sem ouvir os professores; perseguição àqueles que resistem a esse tipo de imposição; negação da autonomia docente estabelecida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB; e ausência de democracia na Rede Estadual. “Somente com a gestão Democrática do Ensino poderemos superar esses graves problemas de autoritarismo que continuam existindo, mesmo depois de 22 anos democratização do país”. Lamenta a Vice-Presidenta do Sintese, Maria Barroso.