Índia: Conflito da Caxemira, Crescimento da Economia e da Desigualdade Social

116
robertosantos


A população da Índia é a 2ª maior do mundo, ficando atrás apenas da população chinesa. Atualmente a população já ultrapassa a casa de 1,2 bilhões de pessoas. Estimativas demográficas apontam que em 2035 a população chegue aos 1,5 bilhões de pessoas, ultrapassando a China que possui 1,3 bilhões de pessoas. Como a China possui uma política rigorosa de controle de natalidade, o crescimento da população chinesa hoje está estável

Entre os anos 1991 e 2001, data do último censo realizado no país, a população da Índia aumentou em 182 milhões de pessoas. Graças a inúmeras campanhas para o controle da natalidade, o índice de crescimento da população tem diminuído gradativamente. A taxa de mortalidade infantil na Índia é de 32 mortes a cada mil nascimentos. Cerca de 40% dos indianos são analfabetos. Entre as mulheres esse índice chega a 50% de analfabetas. Em 2001, de cada 1000 homens, o país possui 927 mulheres. Muitas famílias preferem ter filhos homens, pois eles podem contribuir economicamente para renda familiar. Já as mulheres os pais têm que pagar o dote para se casar e representa um peso econômico para as famílias pobres.

Alguns políticos defendem a adoção da política chinesa de imposição de planos de controle de natalidade. Na China cada casal só pode ter um filho. Para especialistas, caso isso aconteça poderá haver um desequilíbrio entre homens e mulheres ainda maior, já que a maioria das famílias preferem meninos.

Aproximadamente 70% da população ativa vivem no campo, e trabalham na agricultura. O restante da população é urbana, cerca de 30%. Apesar de a população urbana ser menor, as pessoas geralmente vivem concentradas em grandes cidades industrializadas que chegam a ter mais de um milhão de habitantes. As cidades mais populosas da Índia são: Bombaim (antiga Munbai), Délhi, Bangalore, Calcutá, Madrasta e Hiderabade. A expectativa de vida na Índia é de 69 anos (66 anos para os homens e 71 anos para as mulheres).

Historicamente, a sociedade indiana é composta por diferentes castas e línguas. As castas correspondem a camada social hereditária, cujos membros são da mesma raça, etnia, profissão ou religião e se casam entre si. O sistema de castas torna a sociedade estática, pois além do casamento, vestuários, hábitos alimentares e até a profissão são predeterminados para cada indivíduo que nasce em uma casta.

Quatro castas existiam originalmente:
• Brâmanes – nobres e religiosos.
• Xatrias – guerreiros.
• Vaixias – comerciantes e camponeses.
• Sudras – escravos.

As pessoas que não pertencem a uma dessas castas eram chamados de Párias, aos quais eram reservados os piores trabalhos que existiam. Os descendentes de Párias e Sudras correspondem a maior parcela da população. Essa divisão religiosa acaba, também, se estabelecendo na divisão da sociedade economicamente. A Índia é um país que possui uma das maiores desigualdade social do mundo. Entretanto, a desigualdade social elevada é resultado do modelo de desenvolvimento estabelecido no país.

Por ser um país em desenvolvimento (Emergente), a Índia recebeu grande quantidade de multinacionais a partir da década de 1960, em pleno conflito da Guerra Fria. O modelo de desenvolvimento econômico e social implementado nesse período no mundo capitalista foi diferenciado: Nos países desenvolvidos ou de 1º mundo foi adotado uma ação conjugada de desenvolvimento econômico com qualidade de vida (estado de bem estar social). Nessas nações pudemos assistir um nível de vida da população bastante satisfatório. Esse modelo de desenvolvimento financiado pelos Estados Unidos e seus aliados precisava mostrar para o mundo socialista que no capitalismo também era possível ter qualidade de vida.

Já nos países subdesenvolvidos ou de 3º mundo foi adotado outro modelo de desenvolvimento centrado apenas na exploração das riquezas pelas multinacionais das nações desenvolvidas capitalistas. Como nessas áreas não era possível garantir qualidade de vida para toda população, pois esse não é o objetivo do capitalismo, estabeleceu-se o financiamento de Ditaduras Militares. O apoio financeiro e militar aos Governos autoritários das nações subdesenvolvidas capitalistas gerou um processo de prisões, torturas, estupros e desaparecimento que resultou num dos maiores extermínio da história da população mundial.

Nesse contexto, também estabeleceu um processo de desenvolvimento econômico financiado pelas nações desenvolvidas (multinacionais) sem haver desenvolvimento social. Assim, podemos caracterizar a desigualdade social na Índia não como uma questão religiosa, mas como uma questão econômica do capitalismo que objetiva apenas o lucro. Para lucrar mais se buscou as nações subdesenvolvidas que possui mão-de-obra barata, poucos direitos trabalhistas, matéria prima e fontes de energia abundantes, inserção de impostos e permissão para destruição o meio ambiente sem qualquer tipo de punição.

Apesar do sistema de castas ter acabado oficialmente em extinta na constituição em 1949, com o passar dos séculos, houve inúmeras subdivisões, que deram origens a novas castas, ou tribos. Atualmente, existem cerca de 336 tribos (ou castas) que falam 325 línguas diferentes, existindo ainda aproximadamente 1652 dialetos espalhados por todo o país. Cerca de 30% da população falam a língua hindu, embora essa seja apenas uma das 18 línguas oficiais da Índia. A organização social e política da Índia, portanto, sofre forte influência das castas e da religião, pois o sistema de castas é a base do hinduísmo, religião de mais de 80% da população.

A Índia é considerada a 10º maior economia do mundo. O PIB do país, em 2007, chegou à casa dos U$800 bilhões, com um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A economia indiana é a 2ª que mais cresce no mundo. Contudo, a desigualdade social no país, ao invés de diminuir, aumenta cada vez mais. O PIB per capita da população indiana, em 2007, foi de U$2,700.

O principal responsável pelo crescimento econômico na Índia é o setor de serviços, embora seja o setor agrícola o responsável por 3 em cada 5 empregos no país. Os produtos agrícolas mais comuns são: arroz, trigo, algodão, chá, cana-de-açúcar, juta, sementes oleaginosas, especiarias, legumes e verduras. As criações de aves, cabras, ovelhas, búfalos e peixes também são bem comuns na Índia. O principal produto de mineração é o minério de ferro, embora sejam explorados também: carvão, diamante, cromita e asfalto natural.

O setor industrial na Índia está cada vez mais diversificado. As áreas que mais se desenvolvem são as seguintes: aço, equipamentos e máquinas, cimento, alumínio, fertilizantes, têxteis, juta, biotecnologia, produtos químicos, softwares e medicamentos. A indústria cinematográfica da Índia merece destaque. O país é o que mais produz filmes anualmente. A indústria cinematográfica do país é chamada de Bollywood, em referência a cidade de Bombaím, (antiga Mumbai) e a Hollywood (berço da indústria cinematográfica norte-americana). O nome utilizado não faz jus a todas as produções de cinema da Índia, pois nem todos os filmes são produzidos em Bombaím.
Índia e Paquistão têm ultimamente se enfrentado num conflito pelo controle da Caxemira. Os dois países foram ex-colônias britânicas. Em 1947 conseguiram independência. Os ingleses repartiram a região de acordo com a religião das maiorias: Índia e Sri Lanka de religião Hindu; Paquistão e Bangladesh de religião mulçumana e Nepal e Butão de religião budista. Assim surgiu a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.

Entretanto, o controle sobre a região da Caxemira foi causa de duas das três guerras (1948-1949, 1965 e 1971) já travadas entre Índia e Paquistão desde 1947 ano em que ambos os países se tornaram independentes do Reino Unido. A Caxemira é uma região montanhosa ao norte dos dois países. Grande parte da população da região é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, que a Índia nega. Atualmente, dois terços do território estão sob domínio indiano e o restante sob controle do Paquistão e da China.

O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira sob o argumento de que lá vive uma população de maioria mulçumana, mesma do país. Entretanto, além de ser uma região estratégica para Índia em função da fronteira com a China não possui abundantes recursos minerais ou reservas importantes de petróleo. A principal atividade econômica é a agricultura de subsistência – 80% da população é camponesa. No que diz respeito à indústria, a Caxemira é muito incipiente – as indústrias mais importantes são as de transformação (tecidos, alimentos, bebidas), em geral controladas pelo Estado (Índia, Paquistão ou China) e voltadas para o mercado interno, de baixo nível de renda, surgindo assim o motivo da pouca envergadura da indústria na região. A região, no entanto, por sua posição geográfica peculiar e pelas características dos países que disputam seu controle possui um significado geopolítico inegável. Ademais, 4 dos 5 rios do Paquistão têm origem no Vale de Caxemira – esse fato alimenta as reivindicações paquistanesas de forma constante.

Os enfrentamentos costumam se intensificar nos meses de verão. Nessa época, com o derretimento da neve em porções da cordilheira do Himalaia, os separatistas mulçumanos têm mais facilidade para se infiltrar na Caxemira indiana, vindos de solo paquistanês. Nas lutas entre os grupos que envolvem os dois Exércitos e guerrilheiros pró-Paquistão, mais de 30 mil pessoas já morreram. Segundo o governo indiano, esses grupos recebem o apoio financeiro do Paquistão, que diz apenas ampará-los politicamente.

A rivalidade levou a uma corrida armamentista que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no clube dos países detentores de armas nucleares. Ambos desenvolveram ao máximo sua infra-estrutura militar. Desde então, as hostilidades na Caxemira passaram a ser acompanhadas com mais atenção pela comunidade internacional. Vale ressaltar que uma guerra nuclear entre as duas nações poderia exterminar mais de metade da população mundial. A região possui a maior concentração populacional do mundo, somente China e Índia possuem juntos 2,5 bilhões de pessoas.