Iran Barbosa: “Perenidade para as convicções e não para os cargos!”

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Desde muito cedo assumi posições em relação à minha vida. Ainda muito jovem, tinha a convicção de que deveria primar pelos valores que sempre foram muito estimulados pela minha família: honestidade, partilha, solidariedade, responsabilidade, seriedade e compromisso com a dignidade da vida.

Também muito precocemente decidi ser um profissional da Educação, um educador. Nos bancos da universidade pública, no curso de História, tive meus contatos mais profundos com as análises marxistas de funcionamento da sociedade e me profissionalizei.

Transformei o Magistério na minha forma de vida e, mesmo tendo formação em outra área profissional, na área do Direito, nunca claudiquei dessa escolha, assumindo todos os bônus e todos os ônus de ser um professor no Brasil.

Em decorrência dessa opção consciente pelo Magistério, enveredei pela militância sindical, por entender que a luta por direitos, numa “democracia desigual” como a brasileira, é o caminho mais seguro para avançarmos em conquistas.

Dirigi o maior sindicato sergipano, o Sintese, e integrei a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a CNTE.

À frente da luta sindical, em Sergipe e no Brasil, ajudei a defender princípios importantes para a estruturação da carreira do Magistério. Dediquei uma parcela importante da minha vida para disputar essas concepções com governos neoliberais e consegui, junto com a luta da minha categoria, que Planos de Carreira e Remuneração fossem aprovados nas redes estadual e municipais sergipanas,

avançando nesses conceitos.

A experiência no movimento sindical consolidou em, mim, duas convicções: a primeira, a de que a luta social é a maior e melhor produtora de lideranças e, a segunda, a de que a transformação social mais ampla exige nossa atuação em outras frentes de luta, para além do sindicato.

Com essa perspectiva ingressei na militância partidária para fortalecer as bandeiras de luta da educação e todas as demais pautas dos trabalhadores e de setores excluídos da dignidade que deve ser assegurada a todo ser humano.

SERGIPE

É no Partido dos Trabalhadores que passo a disputar, de forma mais articulada, programas, projetos e eleições no âmbito da sociedade. Ajudei a eleger vereador, prefeito, deputado, governador e até o primeiro presidente operário e a primeira mulher presidenta do Brasil. Mesmo antes de estar filiado ao PT, alinhei-me às bandeiras petistas e defendi a construção do partido como uma alternativa

consequente de enfrentamento ao modelo conservador, coronelista, fisiológico e elitista de se

fazer política em Sergipe e no nosso país.

Ajudei a derrubar propostas neoliberais de gestão educacional e administrativa. Fui eleito Vereador na capital do meu Estado e, depois, Deputado Federal, o único do PT de Sergipe na Legislatura passada.

Como Deputado Federal, tive a oportunidade de protagonizar a formulação da Lei que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público, tudo em coerência com o histórico que me conduziu ao parlamento federal.

Depois de vencer a batalha pela aprovação da Lei, fiz uma verdadeira peregrinação pelos gabinetes dos Ministros do STF para que eles referendassem os dispositivos legais que haviam sido contestados por alguns governadores, descomprometidos com a política de Piso Salarial para o Magistério.

A peregrinação também se estendeu por quase todos os municípios sergipanos, onde defendi a implantação da Lei do Piso junto à sociedade, nas Câmaras Municipais e junto à Administração desses mesmos municípios.

Participei de atos públicos, enfrentei “autoridades autoritárias”, mediei negociações e o resultado final de tudo isso foi a confirmação da constitucionalidade da Lei do Piso e sua implantação para os educadores sergipanos. Vitória da nossa luta!

Com esta história e com o compromisso de fortalecer a política de Direitos Humanos no meu Estado, aceitei o convite do governador Marcelo Deda, PT, para ser o primeiro Secretário de Direitos Humanos e da Cidadania de Sergipe. A tarefa era qualificar o perfil do nosso governo na área onde mais tenho vivência: a área social.

Houve uma excelente repercussão da sociedade sergipana em relação à iniciativa de se criar uma secretaria de Estado com a tarefa de conduzir a política de Direitos Humanos em Sergipe.

Para minha satisfação, houve uma boa receptividade da sociedade em relação à escolha do meu nome para conduzir, por primeira vez, esta política.

As expectativas foram muitas! Os segmentos sociais mais diretamente beneficiados com o alcance das ações a serem implantadas pela Secretaria mostraram-se estimulados pelos avanços que estavam para ser introduzidos.

No meio de todo esse processo irrompe a luta pela revisão anual do valor do Piso Salarial do Magistério e acirram-se as contradições entre as posições do Governo do Estado e as defesas justas, legítimas e legais do Magistério sergipano, através do nosso sindicato, o Sintese.

O foco da disputa concentra-se na garantia da unicidade da carreira e do respeito a todo um conjunto de conquistas que ajudei a erigir, transformando em lei, quer seja como dirigente sindical, quer seja como parlamentar.

Mais uma vez fui chamado a ter posição, a assumir postura e a definir meu lado na luta!

Como sempre acreditei que só se justifica ocupar espaço na institucionalidade se for para fazer avançar as bandeiras coletivas que sempre defendi; como não podia trair a minha história de defesa dos princípios de carreira do Magistério e de garantia do Piso Salarial como forma de valorização profissional dos educadores e de avanços para a educação pública, decidi deixar a tarefa de secretário de Estado para evitar o aprofundamento do desconforto de integrar um governo que, neste momento, assume posições divergentes daquelas que acredito e defendo.

Foi meteórica a minha passagem pela Secretaria de Direitos Humanos em Sergipe porque são perenes as minhas convicções em relação à luta dos trabalhadores e à qualidade da educação que defendo.