Professores não têm medo de avaliação

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Ao contrário da afirmação do governador Marcelo Déda feita ontem (20) em entrevista a veículos de comunicação, de uma reação do sindicato à avaliação por um possível temor, os professores da rede estadual não têm medo de avaliação.

O Índice Guia que os professores queimarão simbolicamente em frente à Seed, nesta quinta (22) a partir das 8h, não pode ser considerado um modelo de Avaliação de Desempenho, pois segundo a resolução nº 2 /2009, do Conselho Nacional de Educação,o processo de Avaliação de Desempenho deve ser elaborado coletivamente  pelo órgão executivo  e os profissionais do magistério, e o processo deverá levar em consideração a formulação das políticas educacionais e sua aplicação pelo sistema; a estrutura escolar, as condições socioeducativas dos educandos e o desempenho dos profissionais do magistério,  e os resultados educacionais da escola. Portanto, ela é genérica. Já o índice Guia não passa de um controle pedagógico da escola, impositivo, cujo objetivo é assediar moralmente toda a comunidade escolar: professores, alunos e equipe diretiva

“Todo modelo que objetiva, pela imposição, o controle pedagógico da escola pública fracassa, pode ter algum efeito no início, mas não vinga, como nada alcançado pelo autoritarismo. O modelo de discussão pedagógica que o Sintese acredita é o que está na LDB, a comunidade escolar se reúne para elaborar o seu projeto político pedagógico, com o apoio da SEED, faz o diagnostico e aponta as soluções dos problemas. Coincidentemente, esse foi o modelo vitorioso no Enem em Sergipe, o exemplo da Escola Nestor Carvalho, de Itabaiana, a escola estadual primeira colocada.Lá não tem pacote, não há imposição, todos debatem e se responsabilizam pelo que deliberaram”, aponta a presidenta do SINTESE, Ângela Melo.

Em todos os seus congressos e conferências o SINTESE faz debates sobre a avaliação, pois os professores a consideram fundamental para a melhoria da qualidade de ensino, mas ressaltando que ela deve ser feita de todo o sistema e com a participação de toda a comunidade escolar. Para o sindicato a avaliação deve ser feita considerando a política de formação continuada dos professores, as condições de trabalho na escolas, o acesso àescola para alunos e professores, a alimentação escolar, a estrutura física das unidades de ensino e também a Gestão Democrática.


Em entrevista a Revista Paulo Freire, Roberto Silva, expressa a opinião dos professores que têm participado dos debates promovidos pelo sindicato em várias escolas da rede estadual. “Este modelo de avaliação é pedagogicamente equivocado, excludente, cria mecanismos de controle da atividade docente, penaliza e discrimina professores, alunos, pais e mães”.