Professores da E.E Mestre Euclides rejeitam pacotes instrucionais

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Os professores da Escola Estadual Mestre Euclides, localizada no bairro América, entregaram ao SINTESE um documento onde eles “após refletirem sobre a sua prática docente nestes últimos anos trabalhando com base nos programas Alfa e Beto e Estruturado não seguirão mais o método e o conteúdo didático” destes pacotes instrucionais. O documento foi protocolado na tarde desta sexta-feira, no gabinete do secretário de Estado da Educação, Belivaldo Chagas.

O corpo docente concluiu após o uso destes pacotes instrucionais que eles anulam a autonomia das escolas e da atividade docente, práticas essa estas estabelecidas na Constituição Federal e reafirmadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB.

“Nós professores estamos com nossa auto-estima reduzida, por tomar consciência de que esses modelos de pacotes ainda nos responsabilizam pelo fracasso escolar nas séries sucessivas do ensino fundamental, tais pacotes alienantes, atribuem o fracasso do aluno ao professor”, diz o documento.

O SINTESE sempre foi contrário à adoção dos pacotes instrucionais, para o sindicato as escolas e os docentes devem ter autonomia. As primeiras para formularem conjuntamente os políticos pedagógicos e os professores para formularem seus planos de aula o que não acontece com a adoção dos pacotes.

Além do conteúdo que não contribui para a formação de cidadãos pensantes, os livros utilizados nos pacotes além de se apresentarem com erros de ortografia, de informações, pontuação e cálculo ainda estão totalmente desconectados da realidade dos alunos. Isso sem contar o alto custo destes livros, quando a escola pública tem a disposição os livros do Programa Nacional do Livro Didático, onde constam títulos que foram debatidos por professores das universidades federais e distribuídos gratuitamente às escolas.

Vale ressaltar que esses pacotes são didática e pedagogicamente equivocados e na escola Mestre Euclides o material didático do projeto não atende ao número de alunos e não são distribuídos no período inicial das aulas.

Os professores se recusam a continuar utilizando os pacotes instrucionais, pois esta proposta violenta os educadores, desrespeita a legislação educacionais vigentes funciona como um engodo do processo de ensino/aprendizagem com objetivo de mascarar índices negativos de evasão e repetência na rede pública de ensino.