Quase metade dos jovens entre 15 e 17 anos de SE estão fora do Ensino Médio

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Quase metade dos jovens sergipanos (49,7%) entre 15 e 17 anos está fora da sala de aula do Ensino Médio. Esse foi o dado alarmante divulgado pelo Ipea – Instituto e Pesquisas Econômicas Aplicadas no Comunicado 129 que trata da “Presença do Estado no Brasil” que enfocou as áreas da Educação, Trabalho e Emprego, Segurança Pública, Cultura, Bancos e Saúde. Os dados divulgados em janeiro pelo Ipea são baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE em 2009.

O SINTESE já vem denunciando há muito tempo a situação crítica do Ensino Médio na rede pública estadual. De acordo com a Constituição Federal a responsabilidade de garantir escolas para o Ensino Médio é dos Estados. Vale ressaltar que o Ipea só trabalhou com a taxa de escolaridade líquida, que segundo o IBGE é a percentagem dos estudantes (de um grupo etário) em relação ao total de pessoas (do mesmo grupo etário).

“Os jovens sergipanos não estão em nossas escolas, sejam elas públicas ou particulares. O nosso jovem está fora da escola e isso é inadmissível em qualquer Estado que preza pelo desenvolvimento e pela igualdade de condições para a população”, analisa a presidenta do SINTESE, Ângela Maria de Melo.

Para o sindicato há uma flagrante falta de política do Governo do Estado de promoção ao Ensino Médio. O que se vê hoje é uma forte propaganda no Pré-SEED (espécie de “cursinho pré-vestibular”) em detrimento a ampliação das turmas regulares do Ensino Médio.Turnos estão sendo desativados, escolas estão sendo fechadas e a consequência disso é que os jovens estão ficando fora da escola.

Grandes áreas da capital sergipana são negligenciadas quando o assunto é escolas com nível médio. Exemplos dessa situação são os bairros Soledade (zona norte) e Coroa do Meio (zona sul) e toda a Zona de Expansão não contam com escolas que ofereçam o Ensino Médio.

Quem mora na Soledade e quiser estudar só tem como opções escolas no bairro Santos Dumont ou no Conjunto Dom Pedro I. O bairro Coroa do Meio vive situação semelhante, o jovem que durante todo o Ensino Fundamental estou ali perto de casa, se quiser continuar com os estados tem que procurar vaga em escolas localizadas no centro da cidade ou no bairro Aeroporto. E isso demanda recursos que boa parte das famílias não possui, só resta a esse jovem abandonar os estudos. “Trabalhei no bairro durante 20 anos e essa é uma das maiores reivindicações da comunidade local”, aponta Ângela.

A Zona de Expansão aracajuana não conta sequer com uma escola que ofereça o Ensino Médio.

Para o sindicato não é à toa que os dados do IBGE mostram que os jovens de Sergipe estão fora das escolas.


Ensino Profissionalizante

No entendimento do sindicato o Estado de Sergipe precisa investir mais no ensino profissional e em áreas que atendam as necessidades do jovem trabalhador que necessita de formação. Cursos como: Técnico em Radiologia, Técnico em Nutrição, Técnico em Enfermagem e nas áreas de Petróleo e Gás precisam entrar na pauta das escolas públicas estaduais.

O jovem sergipano precisa ter uma opção oferecida pelo Estado para que tenha a oportunidade de se profissionalizar, principalmente no turno da noite.

Ensino Fundamental

O estado ficou com a segunda pior frequência de alunos no Ensino Fundamental com apenas 87,4% dos alunos nas escolas. Sergipe perde somente para o Pará.

Os dados divulgados pelo Ipea demonstram que em Sergipe os gestores estaduais e municiais da Educação não estão cumprindo o seu papel constitucional de garantir o Ensino Fundamental e Médio para as crianças e jovens sergipanos.

Chamada Pública

Para o SINTESE é necessário que o Estado e os municípios façam chamadas públicas e trabalharem na gestão de políticas que atraiam e mantenham os alunos para as escolas.
“O que vemos hoje é um processo de criminalização dos professores e sucateamento das escolas públicas e a culpa das mazelas da educação recai somente para o magistério. É preciso verificar também o papel dos entes federativos na construção e promoção de políticas públicas”, aponta a presidenta do SINTESE.

A quem interessa culpar os professores por todos os problemas da Educação, quando ela não é feita somente pelos profissionais do magistério. Os números mostram que o Estado e os municípios não estão cumprindo o seu papel constitucional seja no tocante a manter os alunos nas escolas públicas ou também com relação a condições de trabalho, formação continuada e remuneração dos profissionais da educação.

A chamada pública também teria a função de atualizar e organizar as escolas da rede estadual. Pois atualmente os dados de algumas escolas estão desatualizados, gerando perda de receita.

É o caso do Colégio Estadual Amélia Maria L. Machado, localizada no povoado Brejão no município de Brejo Grande é um exemplo disso. A escola está situada em área quilombola e devia estar cadastrada no Censo Escolar como tal, com isso a escola e a rede pública de ensino deixam de receber recursos.

Perda de Matrícula = Perda de Recursos

O SINTESE fez análise do último Censo Escolar e constatou que a atual política do Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Educação de fechar turnos, turmas e escolas e consequentemente gerando uma negação de matrículas fez com que no período de 2006 a 2011 a rede estadual tenha perdido mais de 68 mil alunos gerando uma perda financeira para o Estado de Sergipe no período de aproximadamente 1 bilhão e 800 mil reais.

“A falta de uma política educacional séria para manter os alunos e oportunizar para que outros tenham acesso a escola inviabiliza os próprios investimentos na Educação, ou seja, o Estado de Sergipe está dando um tiro no próprio pé”, conclui Roberto.