Com facilidade, Senado argentino aprova retomada de controle da YPF

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Com facilidade, Senado argentino aprova retomada de controle da YPF

Bandeira com o logo da YPF é tremulada em frente ao Congresso argentino, em Buenos Aires. (Foto: Reuters/Marcos Brindicci)

São Paulo – O Senado da Argentina aprovou ontem (25) à noite o projeto que permite a expropriação de 51% das ações da principal empresa de petróleo do país, a YPF, que vinte anos após a privatização voltará a ser controlada pelo Estado. Foram 63 votos a favor, três contra e quatro abstenções, além da ausência do ex-presidente Carlos Saúl Menem, responsável pela venda na década de 1990.

A expectativa do governo de Cristina Fernández de Kirchner é de que a tramitação na Câmara tenha início hoje mesmo para que a aprovação naquela Casa se dê até 3 de maio. Como entre os senadores, os deputados devem dar amplo respaldo à iniciativa.

No Senado foram 14 horas de debates nos quais, apesar do placar folgado a favor do governo, houve estocadas de parte a parte. A União Cívica Radical (UCR), uma das principais siglas de oposição, registrou que a argumentação do peronismo é casuística, já que nos anos 1990 o partido foi responsável pela privatização. “Em contraposição, a UCR está a favor da empresa estatal sempre”, disse o líder da bancada, Luis Naidenoff.

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Miguel Angel Pichetto, titular do bloco kirchnerista, apontou que todos os partidos erraram na ocasião. “Tampouco esteve ausente o radicalismo nem os governadores radicais e tampouco quando foram governo”, disse, em referência à gestão de Fernando de la Rúa, famosa pela quebra do país em 2001.

A argumentação da presidenta é de que o país precisa retomar o controle de um setor estratégico. Ela acusa a Repsol, atual controladora da YPF, de não promover os investimentos necessários, provocando o desabastecimento das províncias e forçando a nação a importar gás para calefação. Fundada em 1917, a corporação argentina foi a primeira do mundo na área de exploração petrolífera.

“Somos conscientes de que a simples expropriação da YPF não soluciona o problema energético, mas também somos conscientes de que sem a exproprição não há possibilidade de início à solução”, afirmou o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Marcelo Fuentes.