Cordel do Coronel que maltrata os professores

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Prezado Governador
Choro sangue no papel,
Quando assisto entristecido
O seu risível papel,
Maltratando o professor
Como faz um Coronel…

Fico aqui me perguntando,
Simples pobre “pensador”,
O que leva um governante
A causar tamanha dor
Ao pobre que está lutando
Contra um grande Ditador…

Procuro uma só razão
Capaz de justificar
Essa tua intransigência,
Teu prazer em maltratar
A quem tem a obrigação
De a nação toda educar…

Um direito garantido
Não pode ser violado,
O aumento ao professor
Deve ser negociado,
O PT é o teu partido,
Não teu trono coroado…

A mentira , “caro amigo”,
Pernas curtas deve ter,
Pois o piso é Nacional,
Disso tu deves saber,
Não transforme em inimigo
Quem sustenta o teu poder…

Ouça ao pobre do poeta
Que canta com devoção,
Alertando ao soberano
Sobre a força da nação,
Não haja como um pateta
Teu destino é a solidão…

Não maltrates nosso povo,
Sobretudo o professor,
Ele sabe como agir,
Suporta tortura e dor,
Teu governo acendeu fogo
No coração do eleitor…

Pense bem neste cordel
Nas palavras que ele tece,
No sentido que ele guarda,
No brilho que se arrefece
No olhar do povo fiel
Que clama a Deus numa prece…

Teu governo irá tombar
E teus feitos de maldade,
Porque quem maltrata o povo
Com tortura e com maldade,
Não consegue suportar
A face da liberdade…

Caminho para encerrar
Meu protesto literário,
Minha forma de dizer
Que não luto solitário,
O verso tem seu lugar
Num governo reacionário…

Minha arma é a poesia,
Minha palavra cortante,
Meus versos sem vaidade
Tentam congelar o instante,
Mostrando que a hipocrisia
Não tem nada de elegante…

Escute meu triste canto,
“Quem avisa amigo é,”
Dê de volta ao professor,
Sua graça e sua fé,
Quem produz o desencanto
Termina junto à ralé…