Com média 2,1, governo Déda é reprovado na educação em 2012

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No interior, pior média foi de Aquidabã, cuja política de educação recebeu nota 0,1. São Francisco teve a melhor média: 7,5

 

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Na manhã desta sexta-feria, no Calçadão da João Pessoa, os professores da rede estadual de ensino, no ato da Prova Final de 2012 do SINTESE, reprovaram a política de educação do governo Marcelo Déda em 2012. De zero a 10, na média, o magistério estadual deu nota 2,1 à política educacional do governo estadual, a mais baixa ao longo dos seis anos de Déda como governador. A Região Centro-Sul foi onde o governo teve melhor avaliação: 4,7. Já na Região de Aracaju, o governo Déda, no quesito educação, teve o pior desempenho: nota 1,3.

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No ano passado, primeiro ano do segundo governo de Marcelo Déda, a avaliação dos professores em relação à política educacional do Estado foi um pouco melhor. O Governo Déda recebeu, em 2011, média 3,0 na educação. Já a média do seu primeiro governo (2007 a 2010) foi de 4,2.

“Não resta dúvida que a política de educação implementada pelo governo do estado é um fracasso. Quem está dizendo isso são os professores, que vivenciam no chão da escola todos os problemas advindos da falta de uma política de Estado transformadora na educação. Faltam compromisso e vontade política para mudar a realidade da educação sergipana, como também tem faltado uma política de valorização do magistério e respeito a esta categoria. A resposta está aí, com a nota 2,1 dada pelos professores, a mais baixa deste governo deste 2007. Que o governo receba como uma crítica construtiva e trabalhe muito mais para mudar a realidade da nossa educação”, afirmou Angela Melo, presidenta do SINTESE.

No ato de fim de ano dos professores também foi exposta a lista dos “Caloteiros da Educação”, relação dos gestores públicos que não pagam o piso do magistério e dos que têm atrasado salários e 13º salário dos educadores. Também foi realizada uma enquente com as pessoas que passavam pelo Calçadão, para que respondessem “Em Sergipe, quem mama nas tetas das verbas da Educação?”. Uma grande vaca foi colocada representando a educação, e em suas tetas, bonecos simbolizando os “mamateiros”.

Redes municipais

Entre as redes municipais, a melhor nota de 2012, na avaliação dos professores em seus municípios, foi dada à administração de São Francisco, região do Baixo São Francisco. A política educacional implementada pelo prefeito Ailton Nascimento (PDT) recebeu média 7,5. Em 2011, o mesmo município recebeu dos seus professores a média 3,8.

O município com a pior avaliação da política educacional em todo o estado foi Aquidabã, também no Baixo São Francisco. A administração do prefeito Marcos da Acauã (PR) por muito pouco não recebeu nota zero, ficando com a média 0,1. No ano passado, os professores deram 3,6 para a política de educação implementada pelo prefeito do PR.

Na opinião do professor Estéfane Lindeberg, coordenador-geral da Regional Centro-Sul do SINTESE, a avaliação de fim de ano da educação feita pelos educadores é de extrema importância, porque é uma oportunidade de mostrar a sociedade sergipana o que o magistério público pensa dos seus gestores.

“Para os gestores é muito fácil, eles têm todo o dinheiro que quiser pra pagar publicidade nos meios de comunicação e dizer que a educação vai bem. E neste espaço democrático que o SINTESE dispõe aqui pra dialogar com a população é que podemos mostrar a real situação da educação em todo o estado de Sergipe, o que o professor, que está no chão da escola, pensa”, destaca Lindeberg.

Ele reforça que a mídia sempre reforça o papel do professor como o vilão da história, e não os gestores. “Mas falar em educação sem dar as mínimas condições de trabalho para o professor não é possível. E nessa avaliação que o SINTESE faz, a variável condições de trabalho aparece, as variáveis gestão democrática, plano de carreira e outras são levadas em consideração, e isto nos dá uma visão real de como está a educação nos municípios”, explica.  

Ivônia Ferreira, coordenadora-geral da Regional Sul a Prova Final dos educadores já faz parte do calendário de fim de ano da categoria e pauta a imprensa sergipana, que já aguarda a nota dada aos prefeitos e, principalmente, a do governador do estado. Ivônia destaca, ainda, o fato de 2013 novos prefeitos assumirão nos municípios, alguns reeleitos, outros não.

“Isso tem gerado uma expectativa muito grande nos professores, porque a maioria dos prefeitos ainda trata a educação e os educadores sem qualquer compromisso. E tem prefeitos que estão saindo que passaram toda a sua administração massacrando os professores, como o caso de Ivan Leite, em Estância, que vai embora e não deixará saudades. Não por menos ele recebeu a nota 1,8. Esperamos em 2013 muita luta ainda, mas onde tiver luta, nós professores, juntos com o SINTESE, estaremos firmes e fortes”, enfatiza a coordenadora-geral.

Sobre a prova

A Prova Final da Educação busca avaliar o nível educacional das redes estadual e municipais através de um questionário, respondido pelos professores da rede, que aborda as variáveis presentes no processo de ensino e aprendizado, sob temas como: Valorização profissional; Gestão Democrática; Garantia de Direitos do Plano de Carreira e Estatuto; Condições de Trabalho; Política Educacional e Qualidade Social do ensino são debatidos e avaliados pelo magistério sergipano.

Desde 2004 os professores das redes estadual e municipais utilizam os momentos finais do ano corrente para apresentar para a sociedade os resultados da “Prova Final da Educação Pública”.