Greve Geral de 11 de julho cobra avanço de pautas sociais

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Sergipe, junto aos demais estados da federação, realiza uma greve geral na próxima quinta-feira, 11 de julho, impulsionada pelos movimentos sociais e centrais sindicais. O objetivo da greve é destravar a pauta da classe trabalhadora no Congresso Nacional e nos gabinetes dos ministérios e também impulsionar a demanda que veio das ruas apresentadas nas manifestações realizadas em todo o país nas últimas semanas.

Na manhã desta sexta-feira, 05/07, veículos de comunicação da mídia sergipana dialogaram com representantes do Levante Popular da Juventude, do MOTU, Unidade Classista, MST, Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Sindical e Popular da Coordenação Nacional de Lutas (CSP/Conlutas), do Movimento Não Pago e da Central Única dos Trabalhadores, durante a Coletiva de Imprensa, realizada na sede da CUT/SE para tratar da pauta que leva todos juntos às ruas na construção desta greve geral.

A estudante Jessy Daiane, do Levante Popular da Juventude, explicou que a democratização dos meios de comunicação é um tópico importante, pois trata de uma conquista necessária para fazer avançar todas as demais lutas sociais que nem sempre tem espaço nos grandes veículos de comunicação, em especial, nos meios televisivos. “Este é um momento oportuno mesmo, principalmente, para a população brasileira que precisa avançar na reforma agrária, obter mais recurso para educação, saúde, realizar a reforma política necessária. A população está com disposição de ir às ruas, é algo que está acontecendo agora. E neste momento o movimento social compreende que se manter organizado é a única saída para que o Brasil não durma nunca mais e para que as pautas sejam consideradas e possamos avançar nas conquistas para a concretização do Brasil que a gente sonha”, Jessy Daiane.

O presidente da CUT/SE, Rubens Marques, o professor Dudu, divulgou a concentração marcada para as 14h do dia 11 de julho na Pça Fausto Cardoso. “Vemos a pauta patronal avançando através da desoneração da folha de pagamento e redução do IPI. Os empresários não tem ônus, ninguém mexe no lucro das empresas. Portanto, estamos entrando nesta luta para disputar nossa pauta. A formatação da greve em Sergipe será diferente, uma vez que a construção desde o início está acontecendo junto ao movimento social”, observou.

O representante da CSP/Conlutas, Edvaldo Soares Leandro, enfatizou a urgência de que a classe trabalhadora se una contra os leilões do petróleo, para barrar futuros leilões e anular os que já foram realizados. Ele garantiu que na data do 11 de julho irão parar os petroleiros, cimenteiros, os professores universitários e vigilantes. Leandro divulgou que na manhã de 11 de julho será realizada uma vasta programação política e cultural em frente à sede da Petrobrás em Aracaju.

Alexandre Delmondes, vice-presidente da Força Sindical, falou sobre a importância do fim do fator previdenciário. Edival Góes, da CTB, confirmou participação dos bancários na greve geral do dia 11 de julho. E Esmeraldo Leal, diretor do MST em Sergipe, divulgou que 10 rodovias serão fechadas em apoio ao movimento. Ele frisou a necessidade do avanço da reforma agrária observando que os movimentos sociais estão todos juntos nesta luta. “Destaco a importância da unidade das centrais e movimentos sociais na construção desta greve geral que leva para a sociedade uma pauta importante e unificada, lembrando que a maioria dos problemas da cidade estão ligados aos problemas da população do campo, que migra para as cidades na busca de melhores condições de vida”, explicou.

A articulação dos movimentos sociais e centrais sindicais tem importância crucial para o avanço das manifestações populares recentes, na avaliação de Flávio Marcel, do Movimento Não Pago. “Desde o início esta é uma luta que integra a pauta dos trabalhadores. O movimento que está nas ruas potencializou a luta travada há muito tempo pelo MPL, em São Paulo, o Movimento Não Pago, em Sergipe, e vários setores do movimento social de diversos Estados do Brasil. Tanto é que todos os movimentos sociais se fizeram presentes em todas as edições do Acorda Aracaju. O que faltava é justamente o que estamos construindo agora: uma articulação para a construção de uma pauta conjunta”, apontou.

POLITIZAÇÃO DO MOVIMENTO

Flávio Marcel avaliou que a agressão contra as centrais sindicais na primeira edição do Acorda Aracaju foi um equívoco fustigado por setores da direita local, e um ponto superado nas edições posteriores da manifestação. “Setores partidários ligados ao grupo político que administra a Prefeitura Municipal de Aracaju puxaram as agressões contra sindicalistas e centrais sindicais, por isso houve um racha no primeiro ato, não foi por acaso. A juventude foi informada do ocorrido e no 2º ato as agressões não se repetiram”, explicou.

O jovem Ronilson Barbosa, da Unidade Classista, avaliou que o fato ocorreu por infiltração de setores da direita partidária e pela postura crítica atual da juventude quanto à forma como alguns partidos se comportam em manifestações. “A juventude brasileira mostra que não aceita mais partidos políticos que não participam da construção do movimento e chegam de última hora para dar discurso e usar a manifestação para seus interesses eleitorais”, resumiu.

Pela importância deste debate, o foco nas pautas sociais e a politização das discussões em âmbito local e nacional foram apontados como importantes avanços por Dalva Angélica do Movimento dos Trabalhadores Urbanos na Luta por Moradia (MOTU). “Com os recentes debates no cenário nacional sobre a temática dos Direitos Humanos, ficou bem claro que existe a direita e a esquerda no país. Nestes 10 anos nós pudemos visualizar muitos avanços, apesar das contradições do governo, há conquistas. Vemos a possibilidade das mudanças acontecerem. E a conquista de moradia digna para o trabalhador, de uma saúde e de uma educação de qualidade com a qual sempre sonhamos só chegará com o povo nas ruas”, observou.

Confira a pauta unificada que o movimento social levará às ruas na próxima quinta-feira, dia 11 de julho:

* Contra o PL 4330, da “terceirização” que retira direitos dos trabalhadores brasileiros e precariza ainda mais as relações de trabalho no Brasil; esse Projeto precisa ser varrido imediatamente da pauta do Congresso Nacional;

* Desmilitarização da polícia, contra a violência policial às comunidades e às manifestações públicas;

* Estatização do Transporte Coletivo, revogação do aumento da tarifa de ônibus, e para que as reduções de tarifa do transporte não sejam acompanhadas de qualquer corte dos gastos sociais;

*Garantia de salário e emprego pelo setor patronal que obteve desoneração fiscal;

*Moradia Decente para o Trabalhador e Trabalhadora;

* Implantação da Comissão da Verdade em Sergipe;

* Extinção das OSs e Fundações Públicas de Direito Privado;

* Negociação salarial do servidor público;

*Auditoria da dívida externa; não ao pagamento da dívida externa;

* 10% do orçamento da União para a saúde pública;

* 10% do PIB para a educação pública já, “verbas públicas só para o setor público”;

* Fim do fator previdenciário;

* Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas sem redução de salários;

* Reforma Agrária e respeito à agricultura camponesa;

* Suspensão dos Leilões de Petróleo; o petróleo tem que ser nosso;

* Democratização da Mídia;

* Reforma Política tomando como referência o Plebiscito Popular;

* Reforma da Previdência