Direção da Escola Francisco Portugal chama polícia para professoras

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Secretária da escola disse a policiais que professoras estavam causando tumulto na unidade de ensino

Constrangimento: Este sentimento descreve o que professoras da Escola Estadual Francisco Portugal, Secretária da escola disse a policiais que professoras estavam causando tumulto na unidade de ensinolocalizada no bairro Augusto Franco, em Aracaju, passaram no fim da manhã desta quarta-feira, 28, dentro das dependências da unidade de ensino.

Um grupo formado por cinco professoras estava sentado próxima a entrada principal da Escola realizando pré-matrículas de alunos do 1º ao 9 º ano, para os turnos da manhã e da tarde. Esta pré-matrícula trata-se de um levantamento solicitado pelo atual Secretária de Educação, Jorge Carvalho, para comprovar a necessidade da comunidade escolar em manter o funcionamento de tais turmas nos turnos da manhã e tarde.

Tudo corria normalmente até que o grupo de professoras foi surpreendido pela chegada de duas viaturas de polícia e junto com elas chegou também secretária do Francisco Portugal, Luciana Ramos Farias. A secretária acusou as professoras de promoverem tumulto na escola e solicitando aos policiais que retirassem imediatamente as professoras dali.

Presente no momento da ocorrência, a vice-presidente do SINTESE, Ivonete Cruz, esclareceu a situação com os policiais. Ivonete Cruz explicou que a direção da escola foi autoritária e equivocada ao acionar a polícia, uma vez que não havia nada de ilegal em convocar pais e mães de alunos da escola para realizarem a pré-matrícula de seus filhos. Em uma ação que tem por objetivo manter o funcionamento das turmas do 1º ao 9º anos, nos turnos da manhã e da tarde para atender as demandas e necessidades da comunidade escolar.

 Após ouvir a vice-presidente do SINTESE, as professoras e a secretária da escola, o capitão da Polícia Militar, Flávio, responsável pelo policiamento na região, concluiu que aquele não era um caso de polícia. “Não há nenhum tumulto aqui. Esta não é uma questão de polícia, mas sim um caso de falta de entendimento entre os integrantes da escola. Não há razão para a presença da Polícia Militar no local”, colocou o capitão.

Os policiais foram embora e as pré-matrículas continuaram normalmente. Para a vice-presidente do SINTESE, o que está acontecendo na Escola Estadual Francisco Portugal é algo nunca visto na educação de Sergipe. “De um lado temos a comunidade e professores lutando para manter todas as turmas funcionando e de outro a direção da escola chamando a polícia com o intuito de impedir”, ressaltou Ivonete Cruz.

 Relembre a história

No ato de matrícula e renovação de matrícula dos estudantes, a direção da Escola Estadual Francisco Portugal informou aos pais e responsáveis que não haveria mais turmas do 1º e 2º anos do ensino fundamental. Após questionamento dos pais o diretor da Escola, Edidelson dos Santos, chamou uma reunião para esclarecer o assunto. Os pais por sua vez, chamaram os professores da Escola a participar desta reunião convocada pelo diretor e os professores solicitaram que o SINTESE também participasse.

No dia da reunião, o diretor se recusou a iniciar a mesma, caso os professores e a direção do SINTESE permanecessem no local. Por fim a reunião não aconteceu. A direção do Francisco Portugal manteve a postura de não matricular alunos para as turmas do 1º e 2º anos.

Indignados com a situação pais, mães, professores e alunos fizeram um ato pelas ruas do Augusto Franco, no dia 16 de janeiro, para chamar a atenção da comunidade para o que vinha ocorrendo na Escola Estadual Francisco Portugal.

Após o ato o SINTESE enviou ofício ao Ministério Público Estadual (MP/SE) solicitando uma audiência para tratar do caso. No dia 21 de janeiro uma comissão formada por pais, alunos, professores e diretores do SINTESE foi recebida no MP/SE pelo procurador, Cláudio Roberto Alfredo Sousa. Participou também da audiência a Diretora de Educação de Aracaju, Nádia Cardoso.

Ao final da audiência o procurador, Cláudio Roberto, colocou que não via motivos para o fechamento das turmas, uma vez que havia demanda para preencher as vagas dentro da comunidade.   

No dia seguinte a Secretaria de Estado da Educação publica uma nota, na qual constava o novo cronograma de calendário e oferta de vagas, estabelecido pela a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), para a Escola Estadual Francisco Portugal. O novo cronograma da DEA estabelecia que no turno da manhã  seriam ofertada matrículas para as turmas do 1º aos 5º anos e no turno da tarde do 6º aos 9º anos.  

O novo cronograma apresentada pela DEA não satisfez os pais e mães de alunos, já que até o ano de 2014 todas as turmas eram ofertadas em ambos os turnos, e os pais podiam matricular seus filhos no turno mais condizente com seu cotidiano.

Diante de tantos impasses a deputada estadual, professora Ana Lúcia, consegui uma audiência com o Secretário de Educação, Jorge Carvalho, onde expôs a situação complexa que estavam vivendo pais, alunos e professores da Escola Francisco Portugal. Jorge Carvalho solicitou então, que os professores do Francisco Portugal fizessem uma ampla mobilização chamando os pais e mães do Augusto Franco e região para fazerem a pré-matrícula de seus filhos na Escola. Caso houvesse um número suficiente de estudantes pré-matriculados, que justificasse o funcionamento das turmas do 1º ao 9º ano, nos turnos da manhã e da tarde, a Escola voltaria a ofertar matrículas para todas as série do ensino fundamental nos dois turnos.