“Nem o mínimo do mínimo este Estado tem nos oferecido e ainda quer nos discriminar”

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A péssima situação estrutural do Colégio Estadual Irmã Maria Clemência localizado na cidade de Capela fez com que a professora de História, Denilsa Oliveira Santos desse um depoimento que é semelhante a vários que chegam ao sindicato retratando as condições de trabalho a que são submetidos os educadores para ministrarem suas aulas.

“Sou professora do Colégio Estadual Irmã Maria Clemência de Capela há dez anos, ou seja, desde que comecei a trabalhar no Estado. O ‘Clemência’ faz parte também da minha história enquanto estudante, pois fui aluna na década de oitenta e noventa do século passado desta instituição, e por isso penso que tenho propriedade para falar um pouco da atual situação, do caos e do estado de abandono que o Estado vem dando a escola, assim como tantas outras espalhadas por esse Sergipe.

A situação nunca foi tão ruim, pois realmente, nunca tivemos estrutura física para fazer, por exemplo, eventos coletivos, já que a escola só dispõe de salas de aulas. As aulas de educação física são ministradas na praça assim como o recreio, mas usar os espaços da cidade é a única  alternativa que temos para amenizar a situação e não deixarmos de fazer nosso trabalho.

Em festas e culminâncias de projetos já usamos espaços das escolas Criança Feliz e Monsenhor Eraldo Barbosa, mas ultimamente nem o mínimo do mínimo este Estado tem nos oferecido e ainda quer nos discriminar e dizer que a culpa da educação não está como deveria é nossa.

Desde o ano passado que a sujeira é uma constante na escola, já que só tem um funcionário de limpeza para os três turnos, os alunos da tarde e noite não tem direito a alimentação escolar, pois não tem merendeira nestes turnos, a instalação elétrica precisa de reparos, até incêndio já teve, um ventilador pegou fogo e graças a ação de um dos alunos a baldes de água conseguiu apagá-lo eu estava lá, após isso até mudaram alguns fios mas não  adiantou muita  coisa já que não  dá para estar todos os aparelhos ligados que dá queda de energia.

Quando chove, alagam as salas e a situação está piorando, pois as telhas estão quebradas e o forro com buracos.  Se chover agora chove também na escola. Hoje 04 de maio, não teve aula devido a sujeira e coitada da moça da limpeza que quando chegar vai ter que limpar tudo sozinha, ou seja fazer o trabalho de pelo menos duas pessoas.

Professora Denilza

E em relação à assistência pedagógica não é diferente. Nesses dez anos não tenho lembrança de o Estado ter me proporcionado cursos para melhorar a minha prática, minhas angústias para conseguir melhorar a prática no máximo converso com meus colegas também vítimas do abandono pedagógico do Estado, o que fazemos é darmos o melhor de nós a cada dia, mas está realmente insustentável essa situação.

No ano passado fomos até a secretaria de educação falamos com a secretária, mas como vocês podem ver não mudou a situação. Esta cada vez mais difícil exercer a docência nas atuais condições, quando saio para trabalhar já fico imaginando o que será que vou encontrar já que esse ano já disse que não farei o que já fiz afastar o lixo do quadro, por exemplo com o pé para poder escreve e dar  aulas…”

Professora Denilsa Oliveira Santos – Capela/SE