Divisão de salários: uma manobra para arrefecer a luta dos trabalhadores

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O anúncio do Governo do Estado de que vai dividir em duas parcelas o pagamento dos servidores (com exceção da Educação e Saúde) e dos proventos dos aposentados trouxe indignação a todos os servidores públicos da rede estadual. No dia 31, os servidores e aposentados receberão R$2 mil e em 11 de agosto o restante.

“Mais uma vez o governo de Sergipe age de maneira truculenta contra os aposentados. Com essa atitude de dividir nosso salário, ele mostra o descaso e a falta de respeito para com esses bravos funcionários que durante anos e anos prestaram relevantes serviços a sociedade sergipana. E agora como vamos pagar nossos compromissos? Eu aprendi durante toda minha vida com meus pais que a dignidade de uma pessoa passa pelo compromisso honrado. Hoje infelizmente a palavra dada não tem valor e o Sr. Governador nos faz passar por humilhações de chegar para quem devemos e dizer que apesar de sermos legalmente aposentados não temos salário para pagar. Imagine o constrangimento desses bravos trabalhadores. Vamos nos unir, lutar e pedir a Deus que esse ato não gere enfarto, AVC nos nossos velhos corações desiludidos. Governador Jackson Barreto deixe de enganação e respeite quem muito fez por Sergipe” desabafou a professora aposentada Ubaldina Fonseca Moreira, diretora do Departamento de Assuntos da Base Estadual, do SINTESE.

Para o SINTESE em um cenário onde os trabalhadores estão lutando por revisão salarial (no caso dos professores, revisão do piso prevista em lei federal) essa postura do governo é uma manobra para manipular a opinião pública. Pois ao dividir os salários passa a impressão de que não há dinheiro, mas ao mesmo tempo o Diário Oficial mostra praticamente todos os dias novas nomeações de cargos em comissão.

Corte de ponto

Mesmo tendo seus salários pagos de forma integral este mês, os professores da ativa ainda sofrem com a não devolução dos sete dias de trabalho descontados no mês de junho. O SINTESE tem insistido em buscar audiência para negociar a devolução dos dias descontados. Os educadores decidiram na assembleia realizada no dia 18 de junho que só irão fazer a reposição desses dias quando o dinheiro for devolvido.

O posicionamento do governo em não receber o sindicato para negociar a devolução do dinheiro e os demais pontos da pauta de negociação que envolve o reajuste do piso, ações contra violência nas escolas, estrutura física, entre outros, demonstra a falta de preocupação com o ano letivo dos estudantes da rede estadual, pois sem a reposição destes dias o ano letivo de 2015 não poderá ser encerrado.