São Cristóvão: ao invés de apresentar dados, prefeitura solta nota que busca colocar povo contra professores

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A falta de explicação da Prefeitura Municipal de São Cristóvão – PMSC sobre um saldo positivo de quase R$23 milhões nas contas da Educação e mesmo assim não atualizar o valor do piso dos professores ao SINTESE, resultou em nota divulgada pela administração municipal nos veículos de comunicação e até em carros de som informando que o reajuste não sai por culpa dos professores.

O sindicato avalia tal nota como uma tentativa de manipular a opinião pública sancristovense contra a luta dos professores que buscam somente o cumprimento da lei do piso e melhores condições de trabalho.

Na nota, a PMSC diz que os educadores recusaram um reajuste de 15,01% em 2014 e mais 4% nos anos seguintes até chegar ao valor do piso determinado pela lei federal 11.738/2008.

O prefeito Jorge Eduardo (conhecido no município como Jorjão) só “esqueceu” de informar na nota que a atualização do piso só se dará, segundo a proposta da prefeitura, no ano de 2034.

12 anos

Hoje a prefeitura paga aos professores o equivalente ao piso do ano de 2010 que é de R$1.024. Para que se cheguem aos R$1917 se faz necessário um reajuste de 87,16% (quase o dobro). A proposta apresentada por Jorjão só garante R$19,61%. Os 56,48% seriam pagos pelas próximas 4 administrações (ou seja pelos próximos 4 prefeitos ou prefeitas eleitos), ou seja, a atual administração municipal de São Cristóvão propõe começar a pagar a dívida (que ela mesma fez) só nos próximos 2 anos, os outros 12 anos quem viver verá.

Vale lembrar que em janeiro de 2016 a legislação nacional garante um novo percentual de reajuste. Isso sequer é mencionado na proposta da prefeitura.

SINTESE tem proposta

Ao contrário do afirmado pela nota da PMSC, o SINTESE tem proposta para o magistério de São Cristóvão e ela é que a atualização do piso para os patamares de 2015 deve ser imediata.

A proposta sindical não foi apresentada somente no afã de dar dignidade aos educadores da rede municipal sancristovense que tiveram as suas (e de seus familiares) abaladas em 2013, quando a então prefeita Rivanda Farias e seu agrupamento político (o qual faz parte o prefeito Jorjão) cortaram drasticamente os salários dos professores, mas sim em estudos e análises feitos pelo sindicato a partir de dados de receita e despesa fornecidos pelo Portal da Transparência, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas.

Os estudos comprovam que de 2012 a junho de 2015 há uma sobra de recursos da ordem de quase R$23 milhões de reais nos recursos da Educação do município de São Cristóvão. Com tal dinheiro é possível reajuste imediatamente o piso dos professores.
A administração municipal argumenta que a proposta de atualizar o valor do piso só se dê em 2034 por falta de recursos, mas até o momento não apresentou nenhum dado que se contraponha aos mostrados pelo sindicato.

“É muito preocupante que ao invés de apresentar os dados e que haja um efetivo processo de negociação, a administração municipal recorra a comunicados que geram mais dúvidas na população. Isso demonstra uma má vontade política dos gestores municipais em solucionar os problemas estruturais que vivem as escolas e também de cumprimento da lei do piso que foi criada para valorizar o profissional do magistério, é preciso que se construa uma proposta que recupere as perdas salariais e que se discuta coletivamente alternativas para melhoria das escolas”, aponta a vice-presidenta do SINTESE, Ivonete Cruz.