“Salário é comida. Nenhum trabalhador tem estímulo em trabalhar de barriga vazia”

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Contas em atraso acumuladas, pagamento de altas taxas de juros, problemas em comprar alimentos para a sobrevivência. Essa é a atual realidade dos professores da rede municipal de Propriá que têm recebido, nos últimos meses, os salários atrasados e parcelados. A categoria só recebeu 80% da remuneração do mês de julho. Em reunião ocorrida na tarde da última terça-feira, o secretário de Finanças, Francisco Cardoso não apresentou nenhuma previsão de quando seria o pagamento. Além dos salários a prefeitura deve aos professores férias (1/6 ferial), retroativo do piso de 2013 (janeiro a agosto) e de 2015.

Na reunião que contou com a participação de parlamentares, do secretário de Finanças do município, Francisco Cardoso e representante da empresa que prestam serviços de contabilidade ao município, após muito debate ficou estabelecido que nesta sexta, 11, às 8h30 na Câmara de Vereadores de Propriá acontece uma reunião, onde o SINTESE apresentará os estudos realizados na folha de pagamento e relatórios fiscais que mostram a viabilidade financeira de se pagar os salários dos educadores sem atrasos e sem parcelamento.

O professor Roberto Silva apresentou aos parlamentares que não há justificativa para o parcelamento e atraso nos salários dos educadores de Propriá, pois os relatórios fiscais e de execução orçamentária apresentados ao Tribunal de Contas (e constam no Portal da Transparência) dão conta que os valores de receitas são suficientes para o pagamento dos salários sem atrasos. “Não há motivos financeiros para o atraso nos salários. Os recursos da Educação são suficientes não só para pagar os professores em dia, mas também os funcionários e ainda há os recursos do salário educação para investir na melhoria das escolas”, apontou o diretor do SINTESE.

Em estudos feitos na folha de pagamento do mês de junho foram constatadas várias irregularidades que, se não foram corrigidas, custarão aos cofres públicos de Propriá algo em torno dos R$870 mil por ano. “Se as irregularidades forem corrigidas, a possibilidade de pagar os professores em dia e sem parcelamento fica ainda mais viável. É muito complicado trabalhar com fome, com contas em atraso e precárias condições de trabalho”, apontou Sandra Moraes.

A reunião, ocorrida em Aracaju, foi fruto da solicitação dos professores aos vereadores para que intermediassem com a administração municipal na busca de uma solução para o problema e contou com a presença dos vereadores José Aelson dos Santos (Aelson Publicidade), presidente da Câmara de Vereadores, Genival Moreira, Nego de Marli, Samuel Menezes, Branca Enfermeira, Jurandy Sandys e Heldes Guimarães. Representando o SINTESE professoras que fazem parte da comissão de negociação e também os diretores executivos do sindicato Sandra Moraes e Roberto Silva dos Santos, além de representação da empresa que presta serviços de contabilidade ao município.

Em greve desde o dia 17 de agosto, os educadores tem buscado o diálogo com os gestores municipais na busca de uma solução para o problema e agora solicitaram o auxílio dos vereadores. O presidente da Câmara, vereador Aelson Publicidade cobrou uma solução do secretário de Finanças. “A situação tem que ser resolvida rapidamente”, ressaltou.