Policiais militares tentam impedir direito de manifestação de professores em Propriá

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A mesma polícia militar que tem se mostrado inoperante no combate à crescente e recorrente onda de assaltos na cidade ribeirinha de Propriá, distante 98 km da capital, Aracaju, é a mesma que mostrou “eficiência” no enfrentamento da manifestação dos professores da rede municipal que realizaram marcha em defesa da educação pública pelas principais rias e avenidas da cidade.

Mostrando despreparo, virulência e abuso de autoridade, eles chegaram em grupo no momento em que o padre Isaías Carlos Nascimento, da Cáritas Diocesana de Propriá encerrava sua fala e anunciava que seriam usados poucos minutos e seria seguido por outras lideranças populares e sociais ali presentes (vereador Helder Guimaraes, sindicalista Cláudio Herculano, além de dirigentes locais e estaduais do SINTESE), que ainda fariam sua saudação manifestando apoio aos educadores em greve desde 17 de agosto.

O ato que culminaria a caminhada saída da Avenida João Barbosa Porto (ao lado da sede do 2° BPM) por volta das 9 horas e chegou ao Centro Comercial as 10h15 (depois de parada em frente a Prefeitura), acontecia no cruzamento de vias próximas a agência da Caixa.

O mini trio “Devastador” então avançou uns 10 metros desobstruindo a passagem (deixando livre a Travessa Capitão Zezé), mas insatisfeito, um policial que pelo comportando (desproposital) comandava a “operação” (sic), determinou que este deixasse o local, o que foi seguido pelo condutor, visivelmente assustado e temendo uma ação física dos “operosos” militares.

Os professores o seguiram, e enquanto o sinal do microfone ainda chegava a base de som do veículo, utilizamos da fala denunciando tal ato arbitrário – e cremos não ser próprio da instituição Polícia Militar em Sergipe (ou estou errado? ).

A mesma polícia que se mostra omissa e insípida no combate à violência escalada, notadamente a assaltos em escolas e casas comerciais e residenciais de Propriá, deixando vulneráveis professores, estudantes e funcionários, lojistas, comerciários e a sociedade, agora agia contra aqueles que deveriam defender e no momento estavam dialogando com a comunidade propriaense que correspondia ao clamor da categoria.

Mais adiante, quando chegavam próximos a agência do Banco do Brasil, era uma viatura da SMTT e agentes de trânsito que investiam contra os veículos que seguiam a manifestação.

Queríamos ver a nossa PM e a SMTT com a mesma vontade laboral para disciplinar o trânsito no Centro Comercial nos mesmos horários outros dias da semana – mas aí ê exigir demais, não é mesmo, pois neste momento parte deles estão “monitorando” mototaxistas.

Participaram do ato organizado pelo SINTESE, professores, familiares, pais de alunos, amigos, além de movimentos sociais como o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Propriá (SINDSERV), Acampamento Estrela (MST) e a Corrente Sindical Unidade Classista, bom como a já citada Cáritas Diocesana de Propriá. Destaque especial para os atores do grupo de teatro “Pernas-de-Pau”, da cidade de Santo Amaro, que levou alegria e arte as ruas da cidade.

Temendo serem agredidos os professores se esquivam de registrar com fotos o ato dos policiais, mas estes ficarão para sempre em nossas mentes para que nunca sejam esquecidos. Fizemos fotos da viatura para que os policiais fossem identificados, mas pela distância não ficaram visíveis as imagens.

Se com a mesma disposição demonstrada estes policiais atuassem no combate à criminalidade em Propriá, esta seria uma terra de reino da mais absoluta tranquilidade.

Queremos aqui acreditar que não tenha sido esta a recomendação do comando da 1ª Companhia e do 2° Batalhão de Polícia Militar, sediados na cidade, bem como da Secretaria de Segurança Pública, que tem destinado para a cidade ribeirinha viaturas, efetivo, não sabemos se acompanhados das mais atuais estratégias e táticas de ação de uma polícia que seja motivo de orgulho da sociedade.

Fica aqui registrado nosso testemunho e veemente repúdio ao ato inominável, ao tempo em que irrestrita solidariedade e apoio aqueles que mantém empunhada a bandeira da resistência cujos sonhos são sonhados juntos – acreditando que estes virarão realidade, pois ‘quem não se movimenta, não sentem as correntes que o aprisionam” (Rosa Luxemburgo).