Concepções e práticas dos coronéis da política

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“Eu mando e desmando. Faço e desfaço.” 
José Cristian Góes

“Os Coronéis querem poder, poder e mais poder.”
Mailson Ramos

 

Mandonismo é uma das bases fundamentais de sustentação dos velhos e novos coronéis da política. Atualmente, ainda é forte o poder político dos coronéis, principalmente, nas cidades interioranas. Em cada contexto histórico, os coronéis reformulam suas velhas práticas, aparentando sempre o novo. Parafraseando Mailson Ramos: “os coronéis querem poder, poder e mais poder. E são flexíveis aos tempos: agora existe até o coronelismo eletrônico”.

Faz-se necessário fazer uma breve contextualização das concepções, práticas e retórica dos coronéis da política. O meu discurso progressista é uma farsa, porque a minha prática política é de um coronel autoritário, perverso e reacionário. Eu compro votos e lideranças políticas. Eu transformo a política em um verdadeiro balcão de negócios para atender os meus interesses pessoais, em detrimento dos interesses públicos. Eu mando prender e soltar, porque sou articulado com a banda podre da justiça. De forma sarcástica, eu massacro a classe trabalhadora e criminalizo os sindicatos, os movimentos sociais e os lutadores do povo – porque a minha porção fascista desabrochou e saiu do armário com toda força, ou seja, eu sou um debochado fascista travestido de democrata.

Eu processo meus adversários políticos, na tentativa de silenciar suas vozes, porque sou autoritário e vingativo e não suporto críticas. Eu mando arrancar as faixas da ralé que reivindicam seus direitos. É grande o meu poder de barganha com o coronelismo eletrônico, ou seja, uso os meios de comunicação de massa para manipular o povo em defesa dos meus interesses políticos. Eu sou arrogante e falo grosso com o Zé–povinho, eu só falo fino com os detentores do poder econômico, que financiam minha campanha política. Enfim, chibatadas nos rebeldes da senzala, que pensam ter o poder para enfrentar os poderosos da Casa Grande.

No artigo – Eu, o coronel em mim. O jornalista José Cristian Góes fez uma brilhante e significativa abordagem sobre o mandonismo de um coronel. Tornou-se referência. Portanto, destaco as ideias – chave: “Eu mando e desmando. Faço e desfaço. Tudo de acordo com minha vontade.[….] Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da corte para todos os gostos. [….] Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem conversa de direitos.”

Será que as retrógradas concepções e práticas dos coronéis estão enraizadas na cultura política Boquinense? MITO OU REALIDADE?

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*PACHECO JÚNIOR É
PROFESSOR DE HISTÓRIA
E MILITANTE HISTÓRICO
DO SINTESE

 

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