“Não vamos aceitar um modelo que trará caos para a educação da rede estadual”

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A SEED literalmente fecha as portas para o diálogo com professoras (es) e estudantes

A SEED literalmente fecha as portas para o diálogo com professoras (es) e estudantes

Professoras, professores e estudantes de 14 das 18 unidades de ensino protocolaram documentos rejeitando a imposição da Secretaria de Estado da Educação – SEED em determinar que estas escolas passem a funcionar com Ensino Médio em Tempo Integral a partir do ano letivo de 2017. A entrega dos documentos foi feita durante o ato público realizado em frente a SEED.

“Não vamos aceitar essa imposição da Secretaria de Estado de Educação que quer empurrar de goela abaixo um modelo que em um futuro próximo trará caos para a educação pública da rede estadual, pois nenhuma escola da rede estadual tem condição de funcionar com Ensino Médio em tempo integral, isso sem contar com a total falta de política pedagógica” disse a professora Ivonete Cruz, presidenta do SINTESE.

Portas fechadas

Pela terceira vez, professores e estudantes realizam ato público em frente a SEED e encontram as portas fechadas. No ato desta quarta ainda foi pior, enquanto os manifestantes passavam pelos corredores as portas das salas iam sendo fechadas à chave.

A situação gerou, inclusive, um incidente institucional, pois a deputada estadual Ana Lúcia, não somente como parlamentar, mas também como presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa solicitou a entrada no Departamento de Recursos Humanos e seu pedido foi negado. Segundo a funcionária ela estava “seguindo ordens de não deixar ninguém entrar”.

“Nunca vivi um cenário em que a gente chega na SEED para buscar que é algo natural no processo democrático de direito que é diálogo e sermos recebidos com portas fechadas. Essa é a terceira vez que ao chegarmos no gabinete do secretário de Educação está fechado e hoje ainda foi pior pois as portas de todas as salas foram fechadas à chave e uma parlamentar proibida de entrar no espaço público”, assinala professora Ivonete.

Com a negação da entrada a deputada Ana Lúcia foi ao Palácio de Despachos e só após conversar com o vice-governador Belivaldo Chagas conseguiu com que o superintendente executivo da SEED, Everton Siqueira recebesse não só o SINTESE, mas também os representantes das escolas.

Nenhuma escola tem condição

Todos os professores e professoras colocaram que, além do fato das comunidades escolares não terem sido ouvidas, a realidade dos estudantes e suas famílias ter sido desconsiderada, nenhuma delas tem estrutura seja física e em algumas até de pessoal para funcionar com o Ensino Médio em tempo integral. Isso sem contar que nenhuma rede municipal está preparada para receber o número de estudantes que serão excluídos das escolas estaduais.

Somente após intermediação da dp. estudual Ana Lúcia, o SINTESE e professores(as) das escolas foram recebidos pelo superintendente executivo da SEED

 “Implantar o Ensino Médio de tempo integral no Colégio Estadual Edelzio Vieira de Melo vai trazer o caos para a educação pública em Capela, pois nenhuma escola da rede municipal tem capacidade para absorver os estudantes que não se encaixam nos critérios impostos pela SEED”, disse o professor de História Paulo Roberto.

Atualmente existem 12 mil estudantes matriculados nestas 18 escolas, caso o Ensino Médio tem tempo integral seja implantado da forma como a SEED está impondo, o número cai para 5 mil (pois as turmas do ensino fundamental serão fechadas).

“Conclamamos ao secretário de Educação que estabeleça espaços de debate e discussão com professores, estudantes, sindicato, funcionários, pais e mães para debatermos o ensino médio”, finaliza Ivonete.

O superintendente disse que a SEED irá analisar os documentos protocolados pelas escolas e que responderá oficialmente a todos eles.