Jornada de luta do magistério: Em audiência senador desmistifica déficit da previdência e fala de CPI

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CPI da Previdência será instaurada: “Queremos abrir os números da previdência”, afirma o senador Lindbergh Farias

Professores e professoras das redes municipais e rede estadual de ensino lotaram a Assembleia LegislativaCPI da Previdência será instaurada: “Queremos abrir os números da previdência”, afirma o senador Lindbergh Farias de Sergipe (ALESE), nesta quinta-feira, 30, para participar de audiência pública sobre a reforma da previdência, que teve como convidado para conduzir os trabalhos o senador da república, pelo estado do Rio de Janeiro, Lindbergh Farias. O debate foi levado à Casa Legislativa pela Deputada Estadual, professora Ana Lúcia.

Mesmo com o fim da greve do magistério público sergipano, na última segunda-feira, 27, professores e professoras continuam na luta por valorização e cumprimento da lei do piso salarial na carreira, contra a reforma da previdência e trabalhista, contra privatização da DESO e contra a terceirização.

Além do SINTESE, diversos movimentos sociais, outros sindicato, instituições, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras de diversos segmentos, ONGs, e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também estiveram presentes no debate. Caso aprovada, a Reforma da Previdência condena trabalhadores e trabalhadoras brasileiros a terem a morte como única garantia de aposentadoria, uma vez que para se aposentar com a média integral de seu salário o trabalhador e a trabalhadora terá que contribuir para a previdência por 49 anos.

O mito do déficit da previdência

Em sua fala durante a audiência o Senador Lindbergh Farias fez questão de deixar claro que o déficit na reforma da previdência, argumentado pelo governo golpista de Michel Temer e pela base que lhe apoia, não passa de historinha mal contada para convencer opinião pública

“Ao invés do déficit de 85 bilhões, temos um grande superávit. Somente em 2015, o país arrecadou pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 202 bilhões. De contribuição Social de Lucro Líquido, foram 61 bilhões, e de PIS Pasep a contribuição chegou a 53 bilhões. A verdade é que nenhum país do mundo sustenta sua previdência e seu sistema de seguridade social somente com a contribuição do trabalhador e do empresário. É preciso a participação do governo”, afirma o Senador Lindbergh Farias.

Neste cenário de horrores Lindbergh Farias trouxe um alento aos presentes na audiência e revelou que a partir da próxima semana será instalada uma CPI da Previdência Social.  “Nós conseguimos assinaturas, por meio da iniciativa do senador Paulo Paim, para instalar na próxima semana a CPI da previdência. A gente vai mostrar que a previdência não é deficitária, e a gente vai mostrar também que outro problema da previdência é a sonegação absurda feita por bancos e grandes empresas do país que não pagam a previdência social. Queremos abrir os números da previdência”, enfatizou o senador.

A luta continua

A presidente do SINTESE professora Ivonete Cruz, em sua fala durante audiência, lembrou que embora os professores e professoras tenha deliberado o fim da greve a categoria não suspendeu a luta e aproveitou  para fazer o chamamento para o grande ato desta sexta-feira, 31.

“Professores e professoras junto com a sociedade sergipana e com o conjunto dos demais trabalhadores continuaram lutando e resistindo. E nesta sexta-feira, dia 31, sem sombra de dúvidas, iremos construir um grande ato e mobilização, assim como fizemos no dia 15 de março, a classe trabalhadora vai ocupar as ruas de Aracaju. Vivemos um momento histórico extremamente grave, mas mesmo dentro deste golpe, vivemos um momento de ebulição da classe trabalhadora, uma movimentação que com resistência e luta pode mudar os rumos da história. Mesmo diante deste tenebroso cenário precisamos resistir e permanecermos firmes na luta. Vamos parar este país. Vamos parar este golpe e vamos assegurar o direito da classe trabalhadora.” convoca a professora Ivonete Cruz.

O grande ato contra a reforma da previdência e contra a terceirização acontece nesta sexta-feira, 31, com concentração às 14h, na Praça General Valadão, no Centro de Aracaju.