Em greve há 28 dias, professores e professoras de Pedrinhas ocupam galerias da ALESE

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Com cartazes nas mãos, professores e professoras, solicitam apoio de deputados estaduais na Assembleia Legislativa

Com cartazes nas mãos, professores e professoras, solicitam apoio de deputados estaduais na Assembleia Legislativa

 

Professores e professoras de Pedrinhas estiveram na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE) nesta quarta-feira, 28, para pedir apoio aos deputados estaduais na luta por valorização, manutenção da carreira e por melhores condições estruturais e pedagógicas das escolas da rede municipal.

Os educadores e educadoras de Pedrinhas estão em greve desde o dia 31 de agosto.

A deputada professora Ana Lúcia ocupou a tribuna da casa legislativa durante o grande expediente e apresentou aos presentes estudos sobre a situação do magistério em Pedrinhas. A categoria está sem reajuste do piso salarial desde 2014 e acumula perdas e passivos trabalhistas.

A prefeita do município, Ocimara Araújo Cruz Trindade, tem mantido o canal de diálogo e negociação fechado e desde que a greve se iniciou até a presente data a gestora municipal em momento algum se sentou com professores e professoras para debater propostas que visem a recuperação da carreira do magistério de Pedrinhas.

“Desde que iniciamos a greve que a prefeita não sentou com os professores para tentar uma negociação. O SINTESE já enviou ofícios solicitando que a prefeita receba nossos representantes em audiência, mas até agora não recebemos nenhuma resposta. A última vez que a prefeita recebeu professores foi há três meses. Estamos desde 2014 sem receber reajuste do piso, a prefeitura nos deve diversos passivos trabalhistas, as escolas da rede municipal estão abandonadas e infelizmente a prefeita vem agindo como se nada tivesse acontecendo” conta a professora da rede municipal de Pedrinhas, Sandra Neri.

Congelamento

Além de não pagar o reajuste do piso salarial desde 2014, a prefeitura deve ainda aos professores uma série de passivos trabalhistas referentes aos retroativos do piso salarial dos anos de 2012 (janeiro a julho), 2013 (janeiro a julho) e 2014 (janeiro a setembro).

As perdas salariais são exorbitantes. Para ter uma ideia, um professor pós-graduado, em final de carreira, com mais de 25 anos de magistério, deveria estar recebendo de salário bruto R$ 6.086,28. Como ele não vem recebendo o reajuste e está com a carreira congelada desde 2014, este professor recebe R$ 4.494,30, uma perca acumulada mensal de R$1.591, 98.

  “A vida dos professores e professoras são vidas que estão congeladas na sua condição e na sua dignidade humana enquanto trabalhador”, colocou a deputada, professora Ana Lúcia, durante sua fala na tribuna da ALESE.

Perda de matriculas e perda de verbas

Em sua fala Ana Lúcia apontou que mesmo com o aumento da população de Pedrinhas, entre os anos de 2010 e 2017, houve redução de matriculas na rede municipal. Em 2010 a população de Pedrinhas era de 8.833 pessoas, hoje a população de Pedrinhas é de 9.523. Destes 9.523, 21,68 por cento está na faixa etária entre 05 e 14 anos e 27 por cento na faixa etária de 14 aos 29 anos.

Entre os anos de 2015 e 2016 o município perdeu 187 estudantes. Com isso, o município de Pedrinhas deixou de receber em 2017, de verbas oriundas da educação, R$ 738.962,28.

“Ora! A população cresce e a matricula decresce? Precisamos estudar este fenômeno. Não justifica não priorizar a educação, assim como não se justifica a redução no número da matrícula na rede municipal Pedrinhas. Perdem-se alunos na rede estadual e municipal por conta do desmando e da falta de compromisso dos gestores. Educação pública é direito, não é serviço ou mercadoria. Por isso, o dinheiro precisa ser bem aplicado e priorizando estudantes, professores e funcionários da escola”, enfatiza a deputada.

Escolas em péssimo estado

Mas a desvalorização da carreira não é o único problema enfrentado pelos professores e professoras de Pedrinhas. As escolas da rede municipal estão largadas a própria sorte. Os problemas são de cunho estrutural e pedagógico, pois além da estrutura física dos prédios estarem ruins, os professores e professoras convivem também com a falta de materiais didáticos e pedagógicos para auxiliarem no processo de ensino e aprendizagem.

A deputada, professora Ana Lúcia, durante sua fala na ALESE, mostrou imagens das escolas da rede municipal de Pedrinhas. As imagens deixavam claro o estado de profunda degradação em que se encontram as unidades de ensino: Banheiros quebrados, lixo amontoado mato crescendo nos arredores das escolas. Estes foram apenas alguns exemplos mostrados pela deputada Ana Lúcia que apontam o descaço com a educação no município de Pedrinhas

Solicitação de intervenção da Casa

Para finalizar, Ana Lúcia apelou aos colegas deputados, em especial ao presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da ALESE, Robson Viana, que intervenham junto à prefeita de Pedrinhas em defesa da educação pública e do magistério municipal.

“Fica aqui o apelo aos deputados e deputadas presentes na sessão, àqueles que dialogam diretamente com a gestora de Pedrinha, e também ao presidente da Comissão de Educação, Robson Viana, que façamos um ofício apelando à prefeita de Pedrinhas, que não só abra a negociação, mas que coloque a proposta de construção da recuperação da carreia, pois os professores estão há 3 anos com o piso congelado “, solicitou Ana Lúcia