Um pouco de saber uma fonte de poder (I)

59

No Brasil da colonização ao da Monarquia o câncer do paternalismo corroeu a sociedade brasileira, os favores sempre assinaram o destino da nação. Os interesses da oligarquia na instituição da República geraram outro tumor na sociedade o coronelismo que como uma espécie de “barbeiro chaguento” que infectou o sangue da população com o clientelismo. José de Jesus Santos, professor

O saber é um poder que deve ser partilhado. Ler é um exercício para a aquisição deste poder. Mas fazer uma leitura requer muito mais que codificar símbolos gráficos e emitir seus fonemas. Fazer uma leitura exige, além disto, a compreensão e opinião do leitor. Aqui vamos propor esse exercício e partilhar nosso saber para dar mais poder ao povo… Exercício este tão negado pela classe burguesa na historia mundial, brasileira, sergipana e boquinense.

Na eterna luta de classes, defendida pelos marxistas, a quebra de braços entre operário x patrão, oprimida x opressores, servidores x governadores move a historia. Desde a antiguidade egípcia ou Greco-romana e o feudalismo, os donos de terras dominavam a força de produção de trabalho do povo (como escravos ou servos) para seu sustento. No Brasil da colonização ao da Monarquia o câncer do paternalismo corroeu a sociedade brasileira, os favores sempre assinaram o destino da nação. Os interesses da oligarquia na instituição da República geraram outro tumor na sociedade o coronelismo que como uma espécie de “barbeiro chaguento” que infectou o sangue da população com o clientelismo.

Dores de cabeça, dor nas costas e nos ossos, sintomas da dengue preocupam atualmente o país que deve combater sempre este mosquito assim como deveriam ser repelidos os políticos populistas e oportunistas que das águas paradas das alianças partidárias criam suas larvas e após quatro anos se proliferam contaminando o cidadão com suas picadas de favores e assistencialismos. Estes “Aedes políticos” são fáceis de identificar, basta olharmos suas larvas na historia política. Costumam se esconder nas lavanderias de propaganda, nas latas enferrujadas das festinhas e trio elétricos, nas garrafas com rótulos de “justos, religiosos, povão e democrático” e não respeitam classe alguma, podem entrar em qualquer casa, do rico ao mais pobre com os mesmos zumbidos, digo, discursos de mudanças.

Refazendo a leitura das grandes revoluções de 1848(Francesa e Industrial), como da Monarquia à República no Brasil, a elite esteve sempre no poder e nas articulações das mudanças políticas e econômicas e moveram a opinião popular para legalizar sua estadia na classe dominante o que não foi diferente em Sergipe. Mas por que estão lá? A epidemia da dengue surgiu por muitos fatores e um deles o relaxamento preventivo ao mosquito da população que da mesma forma se deixa alienar pelas festinhas e favores dos “Aedes políticos”. A elite se organiza e se esconde na falsa democracia participativa. Avaliemos: quem atualmente está nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, no congresso e no senado? Quantos empresários e fazendeiros estão lá defendendo os interesses dos seus negócios? E quantos estão lá representando o povo? A maioria ou a quase inexistente minoria? Na historiografia brasileira os senhores do café (elite da época no início da república brasileira e sergipana) buscaram sempre está nas discussões nas casas legislativas para direcionar a política e a economia a seu favor.

E a classe trabalhadora? Quando esta tenta se organizar é atacada com repressões e perseguições políticas além de parte dela servir de massa de manobra para desmobilizar os sindicatos e conselhos que atuam a favor da sociedade da própria categoria. Assim este vício perdura nos municípios sergipanos, a exemplo de Boquim que esteve sempre sob administrações de famílias influentes economicamente (pensando nos seus dividendos pessoais) usaram da mesma estratégia assistencialista para manterem-se no poder.

Usando as palavras do historiador HOBSBAWM “(…) Quando se viram diante da revolução ‘vermelha’, os moderados liberais e os conservadores uniram-se. (…) as famílias respeitáveis, influentes e ricas que dirigiram os negócios políticos (…) deram fim a sua longa e antiga rixa entre os partidários (…) adquiriram uma consciência de classe (…)”. Nada de estranho na política sergipana e boquinense que nos palanques e comícios apresentaram muitas destas famílias rivais unidas para não perderem sua cadeira política quando se sentiram ameaçados pela organização dos trabalhadores e da sociedade civil organizada. Quantas vezes na tal ilustrada democracia participativa os representantes na maioria dos conselhos e comissões para servir a sociedade é formada pela maioria do governo? Dessa forma as conferencias e fóruns resumem-se em legitimação da vontade do governante municipal ou estadual que no final barra os projetos da vontade popular com suas LRFs (Leis de Responsabilidade Fiscal) e as morosidades dos repasses do Governo Federal e não explica o porquê de projetos de pontes e transposições são mais fáceis que resolver problemas de saneamento básico, saúde e educação.