CNTE prepara paralisação em defesa do piso

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Gabriela Agustini – Em São Paulo

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) prepara uma paralisação nacional em defesa da implantação imediata do piso salarial de R$ 950 para os professores. O presidente da entidade Roberto Leão considerou antidemocrática a postura das secretarias de educação que questionaram a lei e pretende mostrar a mobilização da categoria.

“Na próxima segunda-feira (25), a CNTE fará uma reunião com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) para definir o calendário de atividades. “Vamos convidar todos os trabalhadores a participar dessa luta e estimular manifestações pelo país. A defesa pela educação pública de qualidade é uma bandeira nacional e não apenas dos professores”, diz Leão.

Farão parte das atividades das entidades distribuição de material no Congresso, atos públicos e manifestações nas Assembléias e na Câmara. Cada estado terá a sua própria agenda, mas a CNTE prepara uma paralisação nacional, provavelmente na primeira quinzena de setembro.

Em defesa do piso

Leão acredita que a lei aprovada atende a uma antiga reivindicação da categoria ao vincular o piso à jornada de trabalho.

Para ele, o ponto que prevê que um terço da jornada de 40 horas de trabalho do docente terá que ser dedicado a tarefas extraclasse é um avanço. “O professor precisa desse tempo para preparar as aulas, corrigir provas, discutir propostas pedagógicas, receber os pais de alunos, criar novos projetos para a escola”, diz.

O presidente da CNTE acredita que essa medida representa um investimento do estado na educação e trará ganhos em termos de qualidade de ensino. “Hoje, o professor trabalha em 3, 4 escolas e corrige provas em sua casa de madrugada. É preciso investir em melhoria nas condições de trabalho.”

Ele critica ainda a postura das secretarias de educação que contestaram a constitucionalidade da lei, na semana passada. “O projeto tramitou por mais de um ano no Congresso. Durante esse tempo, todos os pontos da lei estavam abertos à discussão. Questionar agora é antidemocrático e desmoraliza o Congresso Nacional”, diz.

Em relação à polêmica do impacto financeiro a ser causado pelo piso, Leão acredita que não se pode pensar em educação como um problema gerencial. “A lei do piso representa um investimento. E não se pode pensar em educação de qualidade sem investimento, principalmente, em um país que destina apenas 4% do PIB para a área”.