EaD terá que atender a todos os estudantes inclusive àqueles com deficiência

Confira a entrevista com o professor Roberto Silva dos Santos vice-presidente do SINTESE e representante do magistério da rede pública no Conselho Estadual de Educação sobre o uso do Ensino à Distância na rede pública de ensino

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Em tempos de pandemia o processo de ensino e aprendizagem tem se deparado com imensos desafios, como garantir o direito à Educação em um período que não se pode estar presencialmente nas escolas?

Esta é uma pergunta que tem permeado as discussões na direção executiva e coordenação das subsedes do SINTESE e também os professores nas redes sociais e em grupos de whatsapp tem feito diversos questionamentos.

Com isso em mente, o vice-presidente do SINTESE e representante do magistério da rede pública no Conselho Estadual de Educação, professor Roberto Silva dos Santos participou de uma reunião do órgão nos dias 01, 02 e 03 de abril para que fosse discutido essa e outras questões. Depois de três reuniões conseguiu-se formular uma resolução que vai nortear as ações do Sistema de Ensino do Estado de Sergipe.

A resolução trata de calendário letivo, ensino à distância, responsabilidade de gestores e professores. E em textos que serão publicados no decorrer desta semana o SINTESE irá explicar pormenorizadamente cada aspecto previsto na resolução que norteia o ano letivo de 2020.

Desde o início da pandemia as escolas particulares adotaram iniciativas de Ead e no final do mês passado a Seduc expediu portaria sobre o assunto. Com a resolução os alunos da rede pública terão parte do ano letivo via ensino à distância?

Prof. Roberto – O Ensino à Distância é previsto para ensino fundamental, ensino médio e ensino profissionalizante. Destaco que o EaD não deve ser feita para Educação Infantil. A resolução prevê três formas de reposição das aulas. A primeira é que neste período de quarentena a EaD pode ser utilizado, mas antes disso é preciso garantir que todos os estudantes, incluindo àqueles com deficiência, tenham acesso a ela. Caso isso não for possível, o uso dela deve ser descartado.

A segunda, com o fim da quarentena e o retorno das aulas, as escolas e professores podem realizar, de forma concomitante, aulas presenciais e desenvolver atividades escolares a ser executadas à distância pelos estudantes, como forma de reposição das aulas, utilizando procedimentos digitais e/ou convencionais.

E a terceira, com o retorno das aulas, as escolas e professores decidirem realizar reposição das aulas apenas com ensino presencial, podendo o ano letivo de 2020 encerrar dentro do ano civil de 2021.

Outro destaque que faço é que o uso das atividades escolares não presencias podem chegar, no máximo, a 25% da carga hora anual.

Como os conteúdos serão disponibilizados e de quem é a responsabilidade de ministra-los no Ensino à Distância?

Prof. Roberto – As atividades escolares não presenciais devem ser mediadas, obrigatoriamente, pelos professores em regência de classe e por meio dos seguintes procedimentos:

•Digitais: vídeo aulas, conteúdos organizados em plataformas virtuais de ensino e aprendizagem, redes sociais, podcasts, meios radiofônicos, links, correio eletrônico, aplicativos e outros; e/ou

•Convencionais: atividades previstas nos livros didáticos ou paradidáticos adotados pela instituição educacional, apostilas, cadernos temáticos, revistas e outros.

Os conteúdos devem seguir algum parâmetro?

Prof. Roberto -O documento determina que, caso das escolas e professores deliberem em adotar o ensino à distância ele tem que ser feito em conformidade com o Projeto Político Pedagógico das instituições educacionais, levando em consideração as condições de trabalho dos professores e das escolas.

Como vão funcionar os registros e as avaliações dos conteúdos ministrados via Ead?

Prof. Roberto – A avaliação dos conteúdos estudados nas atividades escolares não presenciais fica a critério do planejamento elaborado pelos professores e professoras, podendo ser objeto de avaliação presencial ou posterior após retorno das aulas. Além disso, as instituições educacionais deverão registrar e arquivar as comprovações que demonstram as atividades escolares realizadas em tempo e espaço diversos dos convencionais, a fim de que possam compor carga horária de atividade escolar obrigatória.