Professoras aposentadas confeccionam máscaras para serem entregues a trabalhadores e trabalhadoras

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Em um ato de solidariedade e amor ao próximo, diante da pandemia de Covid-19, professoras aposentadas estão fazendo máscaras de proteção respiratória, em tecido, para entregar a trabalhadores e trabalhadoras, que mesmo neste momento de isolamento social, precisam sair de suas casas e ir para o trabalho. A ação é uma iniciativa do SINTESE.

A entrega das máscaras será feita nos terminais de integração da Aracaju, durante ato alusivo ao dia 1º de Maio (dia do Trabalhador e da Trabalhadora), em conjunto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A ideia de produzir as máscaras veio do Departamento de professoras e professores aposentados do SINTESE. A diretora do Departamento, professora Maria Luci, diz que ideia da ação surgiu com o intuito de ocupar o tempo das aposentadas, que estão em isolamento social, e ajudar aqueles que necessitam ir trabalhar.

A professora aposentada, Matilde Santos, se sente útil e feliz em confeccionar as máscaras de proteção

“Nas atividades que coordenamos no Centro Cultural do SINTESE, sempre tivemos companheiras aposentadas que ajudavam na confecção de fantasias para apresentações que fazemos. Veio a pandemia e começamos a perceber esta demanda por máscaras, percebemos também como estava difícil  encontrar máscaras prontas no mercado e que o preço muitas vezes era inacessível para o trabalhador, então pensamos: já que as professoras aposentadas estão todas em casa, por causa do isolamento Social, muitas delas, as vezes, tristes lamentando o afastamento da família e de suas atividades de rotina,  por que a gente não confecciona máscaras de tecido e doarmos essas máscaras aos trabalhadores e trabalhadoras que estão  aí fora arriscando sua saúde porque necessitam trabalhar? Então deliberamos em reunião da direção do SINTESE que as máscaras seriam feitas e seriam entregas no ato do 1º de maio”

Para a professora aposentada, Elvira Rocha, é momento de solidariedade entre trabalhadores

A professora Maria Luci, conta que a iniciativa foi muito bem aceita e que rapidamente o SINTESE providenciou todo o material necessário e, com toda a segurança, entregou na casa das professoras aposentadas.

Entre as envolvidas no projeto está a professora aposentada, Matilde dos Santos, que diz que o trabalho de confecção das máscaras a faz sentir viva e útil. “Estou em isolamento social, sem poder sair de casa e fazer essas máscaras tem feito me sentir muito útil, tem me feito muito bem. E me sinto ainda melhor por poder, de alguma maneira contribuir, ajudar os companheiros e companheiras que precisam ir trabalhar. Não estamos vivendo um momento fácil, mas precisamos nos unir no combate a essa pandemia e nós, professoras aposentadas, filiadas ao SINTESE, estamos dando nossa contribuição, estamos junto com os nossos companheiros”, afirma a professoras Matilde.

Também confeccionando as máscaras em sua casa, a professora aposentada Elvira Rocha acredita que este é o momento de nos unirmos e sermos solidários uma com os outros. “Solidariedade sobretudo entre nós, trabalhadores e trabalhadoras. Estou aposentada, em isolamento, mas não posso deixar de me solidarizar aos companheiros e companheiras, que por conta do sistema, da flexibilização do isolamento social, têm que estar na rua, têm que ir ao trabalho.  Fazer as máscaras é a nossa pequena contribuição para que estes companheiros e companheiras esteja mais protegidos”, coloca a professora Elvira.  

É importante destacar que todas as máscaras produzidas pelas professoras aposentadas já serão entregues limpas e esterilizadas, dentro de saquinhos plásticos. “Assim que o trabalhador receber a máscara, ele já pode tirar do saquinho e usar, desde o processo de confecção até a máscara pronta, embaladas no saquinho, todos os cuidados com higiene foram tomados”, esclarece a diretora do departamento de aposentados do SINTESE, professora Maria Luci.

Vale ressaltar que as professoras aposentadas não participarão da atividade de entrega das máscaras nos terminais de integração, de Aracaju, porque fazem parte do grupo de risco e devem permanecer em isolamento social. “Infelizmente não podemos participar do ato de entrega das máscaras, pois somos do grupo de risco, mas nossos companheiros e companheiras do SINTESE e da CUT, mais jovens, estrão lá nos representando. Não estaremos lá fisicamente, mas em cada uma daquelas máscaras vai o nosso carinho e a nossa solidariedade a todos os trabalhadores e trabalhadoras que estão na luta”, destaca a professora Maria Luci.  

A professora Maria Luci aproveita para agradecer a suas companheiras. “O Departamento de professoras e professores aposentados, em nome do SINTESE, desde já agradece a todas as companheiras aposentadas que prontamente aceitaram a missão de confeccionar essas máscaras. Mas que equipamentos de proteção e segurança, as máscaras, feitas por trabalhadoras aposentadas para trabalhadores da ativa, simbolizam a nossa unidade enquanto classe, simbolizam que estamos juntos mesmo que a distância”

Flexibilização do isolamento social

Em novo decreto lançado nesta segunda-feira, dia 27, (Decreto 40.588) o Governo do Estado flexibiliza ainda mais o isolamento social, embora o número de casos de contaminação por Covid-19 não tenha diminuído em Sergipe. A ação de Belivaldo Chagas, mais uma vez, atente aos interesses de empresários e coloca em risco a saúde de trabalhadores e trabalhadoras sergipanos.

A partir desta terça-feira, dia 28, já voltaram a funcionar: escritórios de contabilidade; locadoras de veículos; lojas de tecido e armarinhos. A partir do dia 2 de maio voltam: lojas de cosmético e perfumarias; lojas de relojoaria e joias e loja de móveis, colchões e eletrodomésticos. A partir do dia 4 de maio voltam a funcionar: consultório médicos (com prévio agendamento); lojas de papelaria e livrarias e serviços especializados de podologia.

No dia 16 de abril o governador já havia liberado, por meio do Decreto 40.576, a reabertura das seguintes atividades econômicas, sem qualquer justificativa plausível: hotéis, motéis, pousadas, lojas de material de construção, imobiliárias, concessionárias de veículos, lojas de autopeças, cartórios, tabelionatos, escritórios de arquitetura e engenharia, empresas de assistência técnica e óticas.  

Diante desse preocupante conjunto de fatos, a Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT/SE) enviou ofício ao Ministério Público do Trabalho solicitando que o órgão interfira no sentido de garantir medidas de proteção aos trabalhadores e trabalhadoras sergipanos.

“Somos contrários ao relaxamento do isolamento social, pois o que deveria ser feito é a União ter garantido aos Estados recursos para que os mesmos não ficassem suscetíveis às demandas do empresariado, mas, nesta perspectiva, é preciso garantir que este contingente de trabalhadores que estarão nas ruas, seja no comércio, escritórios ou consultórios, estejam devidamente protegidos”, alerta o presidente da CUT/SE, Roberto Silva

O novo decreto do Governo do Estado novamente segue a linha defendida por Bolsonaro e minimiza os efeitos da pandemia de Covid-19 na sociedade, sobretudo na vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Para o professor Roberto Silva a ação cola em riso a vida dos trabalhadores e trabalhadoras para atender os interesses econômicos dos empresários sergipanos.

“A proximidade do dia das mães fez mais uma vez Belivaldo Chagas ignorar a segurança e a saúde de trabalhadores e trabalhadoras e atentar aos interesses dos empresários, que tem este dia como a segunda data comemorativa mais importante para o comércio. Os números de casos de Covid-19 não diminuíram no estado e mais uma vez flexibilizar o isolamento social mostra que o Governo não está tendo comprometimento com o povo sergipano”, preocupa-se o vice-presidente do SINTESE.

O professor Roberto Silva coloca que o ato alusivo ao dia 1ª de maio, será no dia 30 de abril e nesta data serão distribuídas as máscaras feitas pelas professoras aposentadas, filiadas ao SINTESE. Está ação é puxada pela CUT. “O novo Decreto do Governo também coloca como obrigatório o uso de máscaras pela população. Sabemos que com isso a demanda por máscaras de proteção vai aumentar e consequentemente seus preços também, o que pode tornar o acesso do trabalhador e da trabalhadora a este material de segurança ainda mais difícil. Faremos esta distribuição gratuita de máscaras, mas é fundamental que os sindicatos destas categorias, caso a reabertura das atividades de fato ocorram, acompanhem de perto para que seja assegurado aos trabalhadores toda a proteção necessária e exijam dos empresários garantam os equipamentos de proteção individual e coletivo de combate à contaminação pelo Coronavirus”, defende o professor.