Memórias de um EDUCADOR

Por Evilásio Celestino e Vanderley Silva

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Maio de 2020.

Prezado Gestor,

Os “professores” de Aquidabã exigem mais respeito ao Magistério pelos fatos que passamos a debater.

No mês de setembro de 2016, prévias das eleições municipais, estivemos reunidos no Memorial Cantor José Augusto, com os pré-candidatos ao cargo do executivo municipal, exceto, José Carlos dos Santos “Carlinhos/Kaká”.

Na ocasião, você era a “estrela” e a bola da vez! Eram muitos empolgados pelos seus planos para o magistério; seus anseios para Aquidabã eram grandiosos; seu foco era a Educação; alegava que sabia o que se passava na vida de um professor, pois era filho de uma professora.

Por momentos nos sentimos extasiados, estávamos motivados a acreditar que o calvário em que vivíamos estava com os dias contados. Crentes que nossa cidade teria um gestor que ia nos ouvir, conversar, participar do processo educativo de forma interativa colocamos uma venda nos olhos.

O tempo passou. Hoje nos encontramos em meados do quarto ano de sua gestão, a decepção é bem clara para alguns, a fantasia que você esbanjou ainda persiste em outros, porém, o sentimento que mais se apresenta na categoria é desânimo e desalento por acreditar que, como proposto, a sua administração seria diferente. Sem dúvidas, o prêmio que você nos concede é o silêncio ensurdecedor.

Ainda lembro dos seus sonhos: a chamada pública (que todos os professores foram ao sol oferecer a credibilidade que ainda temos e pedir que acreditassem na nova gestão) que iria aumentar os recursos na Educação, o cumprimento na Forma da Lei do Piso do Magistério (a partir do segundo ano de mandato – 2018), melhoria da infraestrutura a das escolas (algumas estão sendo feitas agora, no entanto, INSUFICIENTES), a VALORIZAÇÃO da categoria nos diversos âmbitos e entre outras ações.

Enquanto Educadores, que gozam de boa memória, recordamos que a proposta era para no ano de 2017, todos juntos, lutarmos para matricular mais alunos, “TINHAMOS PROFESSORES DEMAIS E ALUNOS DE MENOS” (lembro de quando você fazia chacota em suas entrevistas nas emissoras sergipanas, inclusive, na nossa Comunitária); deveríamos aumentar os recursos na Educação porque no primeiro ano a gestão trabalharia com os esforços e sobras da administração anterior. Em 2018 tudo mudaria, seria respeitado o Plano de Carreira e Estatuto do Magistério; cumprimento do reajuste do piso; férias, décimo terceiro salário, as condições de trabalho, o conforto para os alunos, as coisas melhorariam, seriam diferentes.

O dinheiro realmente começou a chegar ao FUNDEB, ao Salário Educação, no PNATE (Transporte Escolar), no CAE (Alimentação Escolar), entre outros. Contudo, a partir desse momento, sua gestão passa a ser marcada por marketing, holofote, propaganda e puro sensacionalismo para ENCANTAR a sociedade e uma categoria QUE NÃO ACREDITA MAIS EM SEUS ENCANTOS.

Aquidabã vive mais uma gestão sem respeito ao professor, sem zelo a classe do magistério que fomenta o conhecimento e o saber. Temos contratos excessivos (contraditório ao que vossa excelência afirmava. Onde está o excesso de professores que tínhamos?). Somos todos, efetivos e contratados, explorados quer seja na jornada de trabalho, ou na remuneração, ou nas situações precárias de trabalho entre outras.

Em meio a essa pandemia fica a nossa indignação, num ano letivo marcado pelo atraso desrespeitoso (e não me refiro à interferência da pandemia), sem zelo aos pais, aos alunos que se matricularam na Rede Municipal.

Não bastasse, fomos surpreendidos recentemente com um decreto maldoso em que vossa excelência alega dificuldade financeira para pagar o sexto de férias correspondente a esse ano e determina seu pagamento apenas em 2021. Essa ação é desrespeitosa e de grande falta de compromisso com a nossa categoria.

De sorte, o Portal da Transparência informa que até o mês de abril deste ano, o Governo Federal já repassou mais de 6 milhões, ao cofre do município, apenas no FUNDEB. Daí você anuncia um tiro no pé da categoria.

Informamos Prefeito que em municípios menores como Telha, Cedro de São João, Muribeca e outro de maior porte a exemplo de Propriá, porém com recursos proporcionais ou menores que o nosso, respeitam os professores, cumprem o Piso Salarial, sentam, dialogam, negociam.

Por aqui estamos longe do diálogo, foi encaminhado ofício pelo Sindicato em janeiro e até agora não foi respondido, fugiu de nos encontrar, como fez nos anos anteriores, durante a Jornada Pedagógica. Ressalta-se que apareceu apenas no último dia em que os demais servidores se encontravam na AABB. Será que foi com vergonha de até o momento não ter honrado os compromissos que assumiu com a categoria?

É verdade, falar com professores tem que ter respaldo e cumprir com os compromissos assumidos publicamente, senão que confiança e respaldo esboça ter?

EXCELÊNCIA, reveja suas ações, atitudes, postura em relação ao magistério, zele a carta compromisso que você assinou, pague o que é nosso por direito, cumpra com o reajuste do piso da categoria. Não estamos pedindo favor, queremos apenas o que é nosso.

Não tenha dúvidas nossa inquietação vai continuar porque não é apenas na sua gestão que lutamos e lutaremos por nossos direitos e uma EDUCAÇÃO, LAICA, GRATUITA E DE QUALIDADE SOCIAL.