Todo cuidado é pouco

Rubens Marques de Sousa (Dudu)*

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O Brasil está contaminado pelo fascismo, e isso é motivo de preocupação entre aqueles e aquelas que defendem a democracia como um valor muito caro.

As imagens divulgadas desde ontem (04/05) sobre os ataques de gorilas à jornalistas e enfermeiras, revelam a crescente intolerância dos milicianos.

O epicentro da violência ainda não aconteceu, mas pode acontecer…

Pessoas doentes, dominadas pelo fanatismo, pela cegueira política e pelo ódio, estão a solta, e a próxima vítima pode ser você.

Pra quem ainda não leu, sugiro a leitura da obra “Introdução ao Fascismo,” do velho Leandro Konder, da editora Expressão Popular.

Konder faz a maioria das referências ao fascismo da Itália da era Mussolini e Alemanha de Hitler, mas mesmo assim vale a pena ler para fazer paralelos e conhecer melhor essa praga que se alastrou pelo Brasil.

Se você faz críticas ao modus operandi desse governo e   tem amigos ou parentes com inclinação para ideias fascistas, tome muito cuidado com eles, se afaste deles, pois eles poderão ser seus algozes no futuro, caso aconteça mais um golpe militar. Eles poderão atuar como alcaguetes e entregar você aos milicos.

Muitos deles se alistarão como milicianos e não titubearão em te matar.

Conhecer a história pode ajudar você a se proteger contra eles.

A história está repleta de exemplos de gente que dedurou seus amigos e parentes durante as ditaduras, e os delatados foram torturados e assassinados nos porões dos regimes autoritários.

Não se surpreendam quando começarem a matar “em nome de Deus”, pois   essa prática não é nova.

Espero que você não tenha esquecido da “Marcha da família com Deus e pela liberdade”, que ajudou a derrubar João Goulart, e implantar a ditadura militar em 64.

É importante não esquecer também que milhões de católicos e evangélicos votaram e continuam apoiando o governo das armas. Pode a “bíblia” apoiar o revolver?

Eu divulguei nas redes sociais duas tentavas de atropelamento que sofri (o delegado está investigando).

Recentemente um carro parou em minha porta com vidros entreabertos, e seus ocupantes me xingaram, seguiram e depois deram marcha ré e continuaram os ataques citando o meu nome. Minutos depois retornaram xingando o PT, Lula e exaltando Bolsonaro.

Dessa vez eu tenho testemunha, o meu vizinho Pedro, diretor do Colégio Estadual Walter Franco estava comigo na porta conversando e presenciou o episódio fatídico.

Apesar dos riscos precisamos ter clareza de que o medo não pode nos anular.

Lutar contra essa onda é dever de quem tem a democracia como uma conquista, e quer de volta um Brasil diferente desse brasil.

*Secretário de Relações Intersindicais do SINTESE e Secretário de Formação da CUT/SE