Todos nós já ouvimos dizer que a vida é uma escola. A diferença entre a escola da vida e a escola convencional é que na escola e no colégio podemos aprender disciplinas como português; matemática; sociologia; química; física; história; matemática; biologia dentre outras. Já na escola da vida há uma disciplina que nos é fundamental, bem, pelo menos no Brasil: a “resistência”. Essa matéria é essencial, principalmente, a todo brasileiro e brasileira que não foi bafejado pela sorte de ter nascido numa família com posses suficientes para lhe proporcionar toda carreira estudantil em colégio particular. 

Para ser aprovado na matéria “resistência”, o aluno e a aluna tem que fazer teste todo dia. A primeira prova é conseguir chegar vivo à escola, sobretudo os que dependem de ônibus escolares fornecidos pelas prefeituras que, em grande parte, estão em péssimo estado e colocam em risco a vida dos estudantes; outro teste de resistência é conseguir estudar em salas de aulas sem estruturas, sem condicionadores de ar, sem ventiladores, com carteiras quebradas e quadros negros que mais parecem tabuas de tiro ao alvo. 

Agora, neste momento, há um outro ponto, ainda dentro da matéria “resistência”, que o discente está tendo que entender, este ainda mais difícil: o coronavírus. Uma pandemia que está fazendo do mundo um pandemônio. Um assunto que está sendo difícil de assimilar tamanha carga psicológica que ele despeja sobre o aluno e a aluna. A pandemia interrompeu as aulas. Estudantes não podem ir para as escolas pois estão proibidos de sair de casa devido ao isolamento social; porém, o que é pior, segundo os governadores e secretários de educação, as aulas que antes eram presenciais agora precisam ser ministradas por meio de uma metodologia diferente: a distância.  Acontece, que os Governos fizeram essa proposta sem avaliar a realidade social individual de cada aprendiz.  Nivelaram a sociedade brasileira por cima como se todos os alunos e alunas tivessem as mesmas condições de estudo, como se todos tivessem acesso a computadores, televisores e celulares. Esqueceram dos alunos que, em casa, não têm alimentação adequada e que estão sofrendo para estudar, pois estão com fome, sem merenda escolar que, mesmo de qualidade duvidosa, muitas vezes, é a única refeição que eles têm. Provavelmente, quem não tem comida, muito dificilmente, terá televisão e computador com internet em sua casa. E você sabe qual a sugestão que os estudantes estão recebendo dos Governos? “Estudem de qualquer jeito”. 

Pois é minha gente, sabemos que apreender a matéria “resistência” não é fácil. Carece de muita dedicação, disciplina e força de vontade.  Ainda bem que temos uma excelente professora que nos oferece uma aula extraordinária e que atende pelo nome de “Luta”. Com sua didática, que se renova a cada dia, ensina ao aluno e a aluna das redes estadual e municipal de ensino a não desistir. Ensina a eles que o desejo das elites é que os pobres desistam de estudar, pois elas – as elites –  sabem que o conhecimento é um aniquilador de desigualdades. É por isso que o governo Bolsonaro por meio de seu ministro Abraham Weintraub estava colocando tanto empecilho para adiar a prova do Enem, afinal, segundo o secretário da educação: “Enem não é para impedir a desigualdade social, é para escolher os melhores” e, na opinião deles, os melhores nós já sabemos de onde vêm.

É dentro desse contexto que a dona “Luta”, professora que ministra a matéria “resistência”, na escola da vida, ensina que: quando o assunto é desigualdade, seja qual for a circunstância, a resiliência é o primeiro ponto a ser superado. Que não podemos nos conformar com a má sorte e nem com as mudanças maléficas que pretendem operar em nossas vidas. Por último, mas não menos importante, é necessário que, na escola da vida, todos nós apreendamos uma lição: a “Luta” é a “mestra” da “resistência” e sua pedagogia é sempre pensada para favorecer o oprimido.

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SINTESE EM AÇÃO

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