Em conta-gotas: Prefeitura paga mais 30% de salários de professores e professoras de Santo Amaro

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Em conta-gotas: assim tem sido feito o pagamento dos salários dos professores e professoras de Santo Amaro das Brotas. No último dia 29 de maio, sexta-feira, a prefeitura pagou mais 30% do salário de abril ao magistério municipal. Totalizando 60% do salário de abril pago pela prefeitura até o momento. Os ‘primeiros’ 30% foram pagos parte no dia 20 de maio para alguns professores e no dia 22 de maio para outros.

A gestão do prefeito Genilvado dos Anjos Costa Santos (Dadau) é marcada pela total falta de transparência. O SINTESE por diversas vezes solicitou, por meio de ofícios, que a administração municipal disponibilizasse a folha de pagamento analítica da Educação (Fundeb e MDE), mas a prefeitura sempre deu de ombros para as solicitações do Sindicato, ignorando a Lei de Acesso a Informação, em vigor no país.

A justificativa da gestão para tal é que no dia 11 de maio as contas do município tinham sido bloqueadas, inviabilizando pagamento, devido a uma decisão do Tribunal Regional Federal da 5º Região sobre uma ação movida contra a gestão anterior.

No entanto, o SINTESE solicitou os extratos bancários detalhados das contas do Educação e até o dia 20/05 não tinha havia nenhum registro de bloqueio, mas foi constatado que a gestão utilizou os recursos da Educação para fazer pagamentos de parcelas atrasadas de empréstimos consignados do Banco do Brasil, Banese e Caixa Econômica Federal.

A situação dos professores e professoras da rede municipal de Santo Amaro das Brotas é cruel de total falta de respeito a direitos assegurados pela Constituição Federal e pelo o Estatuto do Magistério. O prefeito Dadau, de forma oportunista, ignora o fato de que salário representar dignidade, contas pagas em dias, vida, comida a mesa. O cenário foi tão grave que o SINTESE, para tentar minimizar o sofrimento dos professores e professoras, fez doação de cestas básicas a categoria, em Santo Amaro.

Imagine que situação: uma professora, um professor que passou pela universidade, realizou o sonho de ter uma profissão, passou em um concursos público, começou a dedicar sua vida a educação dos filhos e filhas de Santo Amaro, ensinando-os a ler, escreve, ensinando sobre história, matemática, geografia, entre outras disciplinas, abrindo porta que somente o conhecimento permite serem abertas, de repente este professor, esta professora recebe apenas 30% de seu salário e vê a necessidade de aceitar a ajuda de seu Sindicado, por meio de uma cesta básica, porque de fato não há como pagar as contas e comprar comida para sua família com apenas 30% de seu salário.

Este tipo de ação por parte de uma prefeitura não corta somente na ‘carne’, mas corta na ‘alma’, de alguém que dica a vida ao seu trabalho, que cumpre suas obrigação e ao final não vê seu salário (que é de direito) pago de forma integral, mas sim pago aos poucos, em um cruel conta-gotas.

“É de tantas formas absurdo e desrespeito o que vem sendo feito pela gestão do prefeito Dadau, que nos deixa completamente indignados. O SINTESE está na luta com os professores e professoras de Santo Amaro e não vamos admitir que a prefeitura massacre a categoria. Já é muito cruel o atraso de salários e ao ‘parcelar’ se torna mais uma prova do descaso e a falta de compromisso com os direitos dos professores e com a educação do povo de Santo Amaro. Não há nada que possa justificar tal situação. E vamos para a luta e para o enfrentamento para que os direitos dos professores e professoras de Santo Amaro sejam respeitados”, coloca a diretora do departamento de Bases Municipais do SINTESE, professora Emanuela Pereira.