A geografia da violência contra negros e negras, no Brasil, deixa bem claro
que as periferias são as zonas mais atingidas. Nas periferias, a violência
começa com a ausência de serviços públicos básicos, como educação,
segurança, saneamento e saúde.

O negro no Brasil sofre dupla discriminação, a primeira é socioeconômica e a segunda é pela cor da pele. Existem, também, outros tipos de violências que não podem deixar de serem contabilizadas, nesse balanço, tais como: a violência simbólica, moral e psicológica. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), aponta, segundo estudo feito com dados do Sistema de informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a população de negros e pardos quase alcança a de não negros, mas a incidência de mortes violentas de negros e pardos é muito maior. Em virtude disso, o professor do Departamento de Ciências Sociais da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo, José Carlos Gomes da Silva, afirmou que a expressão “genocídio negro” entrou definitivamente na agenda da periferia das grandes metrópoles brasileiras. Agora, cabe a pergunta: será que as vidas dos negros e negras nos Estados Unidos importam mais que as vidas de negros e negras das periferias brasileiras?


Acompanhamos, pela imprensa e pelas mídias sociais, milhares de pessoas
saindo as ruas, em protesto, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa,
contra os assassinatos de negros por policiais. Pegamos carona no tsunami
social americano, provocado pela morte de George Floyd, para alertar que
esse problema há muito tempo vem assolando as periferias brasileiras. A
morte de negros e negras nas regiões periféricas das grandes cidades não
são casos isolados, são uma constante. Sendo assim, constante também
deveria ser o nosso repúdio, nosso protesto e nossa revolta. Não
precisamos importar indignações. Já temos as nossas. Basta coloca-las em
prática.

Basta irmos para as ruas. Basta gritarmos bem alto nos ouvidos
dessa sociedade que se faz de surda para não ouvir, finge de cega para
não ver que no Brasil, assim como no resto do mundo, vidas negras
importam, sim! Afinal, somos todos da mesma raça, a raça humana, como
já estamos cansados de saber, e é isso que importa. É isso que alguns
humanos não conseguem perceber. Felizmente, o mundo está acordando
para este fato. Esperamos que não volte a adormecer, novamente, porque
se não esse pesadelo não terá fim.

Sintese: Somos muitos. Somos fortes.

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SINTESE EM AÇÃO

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