Aquidabã: a distribuição de atividades impressas pode ter causado o aumento de casos de Covid-19?

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No dia 01 de junho, de acordo com boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Aquidabã, o município tinha 17 casos confirmados e 02 suspeitos de Covid-19. No dia 23 de junho o número saltou para 61 casos confirmados e 23 suspeitos.

A informação pode até parecer normal em um cenário de pandemia, mas há uma situação a ser investigada. No dia 02 de junho, através do decreto 69/2020, o município retornou o calendário letivo com a adoção de atividades não presenciais.

As atividades podendo ser feitas via internet e no caso daqueles que não possuem acesso à rede mundial de computadores, via atividades impressas. Funcionários da Secretaria Municipal de Educação entregaram materiais impressos à maioria absoluta das famílias de Aquidabã, pois o acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos não é universalizado.

Por isso, não podemos deixar de considerar se as duas situações não estão relacionadas. Do início da Pandemia até a início do mês de junho o munício tinha apenas 17 casos confirmados. No entanto, após o início das aulas foram confirmados mais 44 casos em apenas 23 dias.

Estudos feitos por especialistas mostram que o papel é um dos maiores vetores de transmissão do vírus e por isso não é recomendado o seu uso. Inclusive, há decreto estadual (nº 40.605, de 01 de junho de 2020) que estabelece a vedação do uso de papel na administração pública como uma das medidas de enfretamento à Covid-19.

Ao distribuir materiais impressos aos estudantes, a Prefeitura Municipal de Aquidabã, através da Secretaria Municipal de Educação, além de colocar em risco funcionários, estudantes e suas famílias, descumpre decreto estadual.

“Compreendemos que vivemos em um momento difícil, mas não vai ser distribuindo atividades impressas que os estudantes irão aprender ou que o ano letivo será cumprido como se nada estivesse acontecendo. É preciso que reflitamos de forma conjunta ações de defesa da vida e efetivo direito à Educação e não colocar a vida de famílias inteiras em risco”, afirma José Vanderley Santos Silva, professor da rede municipal de Aquidabã e coordenador geral da subsede do Sintese no Baixo São Francisco I.

Para que situações semelhantes não se repitam o SINTESE solicitou ao Ministério Público Estadual fiscalize Estado e município sobre o contágio de professores e estudantes pelo uso de papel em atividades não presenciais.