Você já ouviu falar em necropolítica? Necropolítica é um conceito desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe que, em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer.

Em época de puro medo e desespero, na qual estamos vivendo, carece de deixar romper o grito da garganta e não mais nos deixar engasgar com tanta insensibilidade. Em tempos de pandemia é, mais do que nunca, fundamental garantir a vida do trabalhador e da trabalhadora. 2020, ainda, mal chegou à sua metade e já nos acena com uma das piores crises econômica desde a segunda guerra mundial. Aristocratas que gravitam na estratosfera do poder com suas naves abastecidas pelo combustível do lucro fácil, preocupados com o quão menos podem ganhar, empurram o trabalhador e a trabalhadora para o matadouro como o gado que não tem consciência do triste fim que o espera.

Neste momento, é fundamental, como diz a nota emitida pelas Centrais Sindicais de Sergipe “dar continuidade à luta por uma agenda de temas que protejam os trabalhadores, crie condições objetivas para o fortalecimento das entidades sindicais e colabore com a recuperação da economia, levando em conta a resolução de problemas estruturais presentes no país e que se mostraram mais sensíveis ao longo da crise atual”. Isso é empatia. Isso, sim, é pensar no outro. Esse é o jogo que deve ser jogado, o jogo onde todo mundo ganha.

Os empresários precisam se conscientizar que não adianta aceitar o fato de que a pandemia, provocada pela Covid-19, alterou os modos de trabalho. Isso de nada servirá se eles não compreenderem, na mesma proporção, que a relações de trabalho também precisam ser alteradas. Por isso, devemos, urgentemente, lutar por medidas de proteção à vida, à saúde, ao emprego e à renda dos trabalhadores e trabalhadoras formais e informais, dos setores essenciais, da agricultura familiar, além da população mais vulnerável socialmente.

O trabalhador, abandonado pelo Estado, está legado ao “sevirismo”, tão brilhantemente apontado pelo cantor e compositor Gilberto Gil. Essa metáfora parece pensada sob medida para um momento em que o chefe maior da Nação, infectado por um negacionismo macabro, mimetizando o Presidente dos Estados Unidos da América, deixa o trabalhador a mercê do “sevirismo”, ou seja: se vire, esse problema não é meu. E empurra, covardemente, a responsabilidade para os colos dos Prefeitos e Governadores dos Estados que, por sua vez, com o mesmo grau de covardia, acossados pela elite patronal, têm a audácia de flexibilizar o isolamento social sem a curva da pandemia estar, se quer, estabilizada. Enquanto isso o cortejo fúnebre vai passando à nossa frente. Lembramos aos nossos governantes, resgatando Achille Mbembe que: “Exercitar a soberania é exercer controle sobre a mortalidade e definir a vida como a implantação e manifestação de poder”.

A pandemia nos tirou pais, mães, filhos, filhas, amigos, amigas, colegas de trabalho… só não nos tirou a capacidade de acreditar que o desfecho dessa barbárie pode ser menos infeliz. Já enterramos muitas pessoas. Mas não vamos enterrar junto com elas a nossa esperança. A nossa força. A nossa fé. A nossa garra de lutar por dias melhores. Mais uma vez, é necessário recuperar, aqui, a poetisa ElisaLucinda: “Sabemos que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!”.

Sintese: Somos Muitos. Somos Fortes.

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SINTESE EM AÇÃO

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