A precarização do trabalho e consequentemente da vida do trabalhador
sempre foi devidamente apontada pela maioria dos sindicatos e suas
respetivas categorias. O advento da Covid-19 apenas tirou o véu que
encobria esses fatos mostrando a face horrenda do capitalismo.


Descobriu-se milhões de trabalhadores invisíveis. Categorias que antes
eram vistas como dispersas conseguiram se mobilizar e reivindicar
direitos, tão legítimos, que é de se espantar como foi preciso uma
inversão no nosso cotidiano para que as notássemos.


A título de ilustração vamos comentar o que está acontecendo com uma
categoria que há pouco tempo não era vista como tal: os entregadores por
aplicativos. O movimento organizado por motoboys via WhatsApp uniu
motoqueiros e entregadores Brasil a fora. Inspirados na greve dos
caminhoneiros que praticamente pararam o Brasil em 2018 os
entregadores desligaram suas motos, desceram de suas bicicletas e, com
os pés no chão, fizeram uma greve no dia 1º de julho. Segundo matéria
veiculada no Jornal o Estado de São Paulo, a luta por melhores condições
de trabalho tinha como pauta desde a definição por taxa fixa mínima de
entrega, por quilômetro rodado, até o aumento dos valores repassados
aos entregadores. Eles também cobravam das empresas ajuda de custo
para aquisição de equipamentos de proteção contra o coronavírus.
Uma outra matéria, veiculada pelo site Agência Brasil, aponta que
segundo o professor de comunicação social da Universidade do Vale dos
Sinos (Unisinos) e coordenador do projeto Fairwork no Brasil, da
Universidade de Oxford, Rafael Grohmann, a análise dessas plataformas
em outros países revelou que elas não cumprem requisitos básicos da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o trabalho decente:
remuneração, condições de trabalho (inclusive saúde), contratos que
reflitam a atividade, gestão dialogada e transparente e representação e
liberdade de associação.


Estamos vivendo, mais que em qualquer outro momento em nossa
história, a “uberização” do trabalho. Onde o trabalhador fica muitas horas
à disposição da empresa, mas só recebe por aquilo que produz, no caso
dos entregadores de alimento por quilômetro rodado. Por isso, é urgente,
como podemos notar nessa época de pandemia, que o trabalhador
repense a sua real importância dentro do sistema econômico.

É preciso que o trabalhador entenda que sem ele não existe trabalho. Que a sua mão de obra é fundamental para manter toda a engrenagem da economia funcionando adequadamente.
A greve dos entregadores, por aplicativos, é mais um exemplo de que os
trabalhadores unidos e com consciência de classe, assim como, são
capazes de movimentar a roda que move o mundo também são capazes
de para-la. A luta por melhores condições de trabalho, esta sim, não deve
parar jamais.

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SINTESE EM AÇÃO

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