Aulas remotas na rede pública de Sergipe acontecem na base do “se vire!”

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Desde a adoção das aulas remotas pela Secretaria de Estado da Educação e grande parte das secretarias municipais o que temos visto nas escolas é que tudo tem funcionado na base do “se vire”.
As famílias é quem tem de comprar aparelhos celulares, tablets ou notebooks, além de pacote de dados de internet para que os estudantes possam ter acesso as aulas remotas, os entes públicos não levaram em consideração que muitas destas famílias têm hoje se deparado com a suspensão de contratos, redução de salário e desemprego.

Para os professores e professoras não houve a indispensável formação sobre essa nova realidade na ministração das aulas e também foi colocada sob suas responsabilidades a aquisição de equipamentos e aumento de franquia em plano de celulares.

Nenhuma secretaria de Educação que adotou aulas remotas como “alternativa” de continuidade do ano letivo apresentou um diagnóstico da realidade das comunidades escolares.

Com isso contatou-se nos municípios sergipanos a existência de três conjuntos de realidades distintas no que tange a oferta de aulas não presenciais:
No primeiro estão os municípios onde a maioria dos estudantes não têm acesso à internet e as gestões municipais não tem recursos para garanti-los e por isso não adotaram as aulas online, e buscaram apenas estimular formas de contato permanente com os alunos.

No segundo cenário a combinação de famílias em situação econômica precarizada e gestões sem quaisquer recursos para garantir acesso online estão encaminhando atividades impressas. A adoção de papel contraria os Decretos 40.588 e 40.605, ambos de 2020 que proíbem a utilização do papel, tendo em vista que os processos físicos podem transportar de um lugar para outro o vírus da Covid-19.

E um terceiro cenário diz respeito aos municípios que adotaram a mesma política da Seduc de aulas online obrigando os professores e professores a se virarem por conta própria para encontrarem os meios, mesmo que sejam precários e não recomendáveis do ponto de vista pedagógico, para ministrarem aulas não presenciais para os seus estudantes e deixando estes últimos, em sua maioria, sem acesso às aulas.