Professores e professoras dos Colégios Atheneu e Maria Ivanda não voltarão sem testagem em massa

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Professores e professoras dos Colégios Estaduais Atheneu Sergipense e Professora Maria Ivanda de Carvalho Nascimento, localizados em Aracaju, decidiram que só voltarão às salas de aula, de maneira presencial, caso a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) garanta a testagem para Covid 19 a todos e todas professores, professoras, estudantes e demais trabalhadores das escolas.

A Seduc colocou, tanto em audiência com o SINTESE, como em release disponível em seu site, que a testagem será feita por amostragem. Apenas 6 mil pessoas entre professores, professoras, estudantes e demais trabalhadores das escolas serão testados. Estas pessoas serão escolhidas por meio de sorteio.

As aulas em algumas escolas da Rede Estadual de Ensino começaram na terça-feira, dia 17, mas até ali nenhum teste ainda havia sido feito. De acordo com o Superintendente da Seduc, Ricardo Santana, a testagem, nas 6 mil pessoas, seguirá até dezembro.

 O Decreto 40.699, do Governo do Estado, coloca que neste momento devem voltar às aulas de forma presencial estudantes do 3º ano do ensino médio, da Educação de Jovens e Adultos, do curso pré-vestibular e que estão finalizando a educação profissionalizante

É importante colocar que a Secretaria de Estado da Educação pretende que 209 escolas, nos 75 municípios de Sergipe, retomem as aulas de forma presencial. Estas unidades de ensino somam ao todo mais de 20 mil estudantes.

Na semana passada, dirigentes do SINTESE visitaram diversas unidades de ensino, incluindo o Atheneu Sergipense. As diretora do SINTESE, professora Elvira Rocha e professora Tânia Ivone, que estiveram no Atheneu,  são  enfáticas ao colocar que não basta ter totem de álcool em gel, termômetro para aferir temperatura ou marcação no chão, um retorno seguro passa por uma série de medias que devem ser garantidas de maneira diária. Além, de obviamente, a testagem de todos que estarão naquele ambiente.

“Não é só no primeiro dia, na primeira semana, a Rede Estadual de Ensino vai ter condições manter todos os protocolos diariamente em 209 escolas? Vamos ter álcool em gel disponível para todos o tempo inteiro? Vamos ter sabonete nos banheiros? Vamos ter pessoas para higienizar, com todos os cuidados necessários, várias vezes ao dia, estes banheiros? Para higienizar escadas, corrimãos, refeitórios? Vamos ter transporte escolar assegurado para mais de 20 mil alunos? Se nem a testagem, que deveria assegurada em massa, por uma questão óbvia de segurança, a Secretaria de Estado da Educação quer garantir, imagina conseguir manter efetivamente todos os protocolos diários, necessários para o combate ao Covid 19, dentro das nossas escolas? E ainda garantir tudo isso em cenário de estrutura precária que temos na maioria esmagadora de nossas unidades de ensino, a Seduc vai dar conta? Não podemos colocar vidas em risco para ver”, reflete a professora Elvira Rocha

Para a presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz, a preocupação dos professores e professoras dos Colégios Atheneu Sergipense e Professora Maria Ivanda de Carvalho Nascimento é legitima. Afinal, a pandemia não acabou.

“Estamos falando de uma doença que já contaminou mais de 5 milhões de pessoas e já fez mais 165 mil vítimas em nosso país. A sala de aula é um ambiente complexo, extremamente heterogêneo. São jovens vindos das mais diversas realidades. E justamente por ter um público tão diverso, que se faz necessária que haja a testagem de todos. O trabalhador da educação tem o direito de querer se sentir seguro em seu ambiente de trabalho, o estudante tem também este direito. Estamos falando pessoas, da vida de cada uma delas. Perde a sensibilidade diante disso é inadmissível. Precisamos proteger as vidas da escola pública em nosso estado. Como sempre repetimos: aulas podem ser repostas, vidas não”, reafirma a professora, Ivonete Cruz.