XV Conferência Estadual de Educação entoa mote: “Se ameaçam a nossa existência seremos resistência”

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Nesta sexta-feira, 11, na manhã do segundo dia da XV Conferência Estadual de Educação, promovida pelo SINTESE, a palavra de ordem foi RESISTIR. O debate, que reuniu professores e professoras de todas as regiões do estado, por meio da plataforma Zomm, foi entorno da BNCC, da formação docente, do negacionismo científico e da reforma do ensino médio.

A professora Elza Ferreira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), abriu as falas tratando da BNCC e de sua construção, que visa a hegemonia e padronização dos currículos da educação básica em nosso país. Para a professora Elza Ferreira a classe dominante quer, a partir da BNCC, ditar o que deve ser feito em sala de aula, sufocando as vozes de professores e estudantes.   

O objetivo de tal homogeneização e padronização é retirar da sala de aula o pensamento crítico e tornar os jovens que saem do ensino médio em mão-de-obra barata e subserviente.

Diante desta ameaça, a professora Elza Ferreira convocou professores e professoras a resistir, criticar e construir um currículo plural e democrático, tecido pelas experiências histórica e sociais de todos e todas que fazem a escola.

“O currículo não pode silenciar nenhuma voz, nem a ameaças a diversidade. A BNCC não garante a diversidade e não podemos aceitar, porque tudo cabe em nosso currículo: nossas vozes, nossa dores, nossas alegrias, nosso conhecimento, nossa história. Então companheiros e companheiras, vamos lutar e construir um currículo, com ética, estética, arte, ciência e tecnologia, mas acima de tudo plural”, enfatiza a professora Elza Ferreira.

Como relação a formação de professores e professoras, a BNCC também vem em uma linha de silenciar, cercear e culpabilizar. A professora Silvana Bretas, do departamento educação da, Universidade Federal de Sergipe, explanou sobre o tema.

A professora alertou aos participantes que a ‘BNCC Formação’ não é um documento avulso e sim uma peça da grande engrenagem que completa o que já está posto na BNCC. A intenção é esvaziar a formação do professor e da professora e torná-los apenas meros reprodutores de conteúdo.  Além de responsabilizar professores e professoras pelos maus resultados que os estudantes venham a ter.

Para a professora Silva Bretas é necessário que professores e professoras se organizem e lutem. “Devemos defender uma formação docente humana, política, emancipadora e socialista. Por nós professores e por nossos estudantes”, finalizou a professora.

Para além de estarmos vivenciando um momento de desmonte da educação, da tentativa de cerceamento e silenciamento de professores e professoras, vivemos também o Negacionismo Científico. O professor Wanderclan Porto, do IFS, tratou a questão.

O professor apontou que no cerne do negacionismo estão interesse políticos e de dominação da população. O negacionismo se baseia em uma quebra do paradigma do conhecimento clássico. Hoje para que algo seja “verdade” basta que “eu acredite”.

Seguindo nesta linha o professor Wanderclan trabalhou ainda o conceito de pós-verdade e como ele foi utilizado pelos defensores do ‘Escola sem partido’ para legitimar que qualquer pessoa pode falar sobre educação, pode ensinar em sala de aula. Tal postura dos defensores do ‘Escola sem Partido’ nega a técnica e a ciência que sustentam a educação.

O professor Wanderclan Porto mostrou que o negacionismo científico é uma estratégia fascista “Negar a ciência é negar a possibilidade que temos de um território de encontro. É uma estratégia fascista para punir e cercear a educação e a liberdade de pensamento dos filhos e filhas dos trabalhadores, da comunidade negra, da comunidade LGBTQI+, de mulheres e de tantos outros grupos. Por isso, devemos nos manter unidos na luta e fazer da sala de aula um espaço de encontro para todos aqueles que não têm voz”, pontua o professor.

Na perspectiva de barrar mais uma tentativa de homogeneização e silenciamento de voz, veio a fala do professor André Martins, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). O professor tratou da Reforma do Ensino Médio.

É importante destacar que o professor André Marins faz parte do Grupo de Trabalho, organizado pelo SINTESE e é um dos responsáveis pela organização e construção de propostas para o Ensino Médio em Sergipe, contrapondo o que propõe o Governo Belivaldo Chagas em sua Contrarreforma do Ensino Médio.

O professor André Martins estudou a afundo a proposta do Governo de Sergipe, no que diz respeito ao Ensino Médio e logo de início em sua fala colocou que Belivado do Chagas demonstra não ter apreço pela democracia, pois impede através da Secretaria de Estada Educação, a ampla participação de professores, estudantes e suas famílias nos rumos do ensino médio.

“O Governo Belivado adotou a ‘Pedagogia das Competência’ para ordenar a Contra Reforma do Ensino médio, valorizando a racionalidade instrumental e tendo o individualismo com referência. O Governo até admite e estipula a convivência pacífica com o outro, mas de forma parcial porque não quer que se realize uma crítica social que possibilite a emancipação humana”, alerta André Martins.

Em sua fala o professor André apontou ainda que Governo Belivaldo Chagas quer massacrar o magistério e valorizar o aprofundamento da precarização do trabalho. Para Martins, caso isso aconteça, professores e professoras de Sergipe vão passar por um processo de desprofissionalização e flexibilização que atingirá sua identidade profissional.

André Martins colocou que o espaço da XV Conferência Estadual de Educação está sendo também usado para apresentar o projeto para o Ensino Médio, em Sergipe, elaborado pelo Grupo de Trabalho, organizado pelo SINTESE.  Um projeto   alternativo ao que Governo Belivaldo Chagas   quer tentar impor a sociedade sergipana. Um projeto não quer hipotecar o futuro das crianças e adolescentes, restringindo seus sonhos e sua inteligência.

Para finalizar sua fala, o professor André Martins convidou professores e professoras a serem resistência “Diante de todos esses desafios que temos queria dizer que a luta vai ser árdua, já está sendo árdua, mas com coragem e determinação, nós precisamos avançar. Já sabemos qual é a perspectiva deste Governo Estadual e Federal. Eles estão ameaçando a nossa existência ao propor a destruição do Ensino Médio, e se ameaça a nossa existência, fica aqui o convite: precisamos ser resistência”, convoca.