Max Weber, grande sociólogo alemão, afirmou que “o político vive para política ou da política”. Bolsonaro se enquadra, perfeitamente, no segundo caso, ou seja, vive da política, mas da maneira mais escatológica possível, pois desde a sua entrada na vida pública, a grande maioria dos seus atos produziram efeitos contestáveis. Basta um pequeno passar de olhos na folha corrida de Bolsonaro para entender o que queremos dizer.

Em nenhum momento, durante toda a sua vida pública, ele se preocupou em promover alguma ação que, realmente, beneficiasse o povo brasileiro. Dos, aproximadamente, 170 projetos de lei que apresentou, em 27 anos como deputado federal, apenas dois foram aprovados, o restante foi descartado por falta de qualidade.

Tudo o que se sabe de Bolsonaro, desde a sua remoção para a reserva em 1988, depois de ter sido acusado de participar de uma operação que teria como objetivo explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende,  até a sua chegada à Presidência da República, é um itinerário de escândalos.

O que nos causa espécie é saber que ele foi um dos deputados federais mais votados no Rio de Janeiro. Compreender a engenharia política capaz de eleger um cidadão com um passado tão obscuro é realmente impossível. Porém, o fato é que ele foi eleito. Como tudo o que é ruim pode piorar, este mesmo sujeito, hoje, é o presidente do Brasil. Só que, nesse caso, não precisamos nos preocupar com a engenharia política que ele utilizou para chegar ao poder, pois as fakes news, ainda, estão bem frescas na cabeça do eleitor brasileiro.

Agora, vamos tratar do passado recente de Bolsonaro, quando ele assume a presidência do país em 2018. De lá para cá, tudo o que se viu, além da pura falta de liturgia do cargo, foi a mais profunda falta de preparo para administrar uma nação, com problemas proporcionais ao seu tamanho.

O homem que se elegeu presidente, prometendo acabar com a corrupção no país, hoje, juntamente com seus filhos, se vê envolvido em um amaranhado de suspeitas de crimes financeiros, que, se, ainda, não foram esclarecidos é porque o Presidente aparelhou os órgãos com competência legal para investigá-los.

Para tornar o cenário ainda mais nebuloso, durante o mandato de Bolsonaro, como Presidente, houve a pandemia e o povo, enfim, pode ter consciência de quem, realmente, está sentado na cadeira da Presidência da República do Brasil, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Pois, enquanto milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, morriam por causa do coronavírus, Bolsonaro chamava a pandemia de gripezinha. A tragédia sanitária se espalhava pelo Brasil, e o Presidente andava de jet-ski no lago Paranoá, em Brasília. Defenestrou dois ministros da saúde. Um por inveja da competência e outro porque não quis assinar um protocolo indicando ao povo brasileiro uso da hidroxicloroquina.

Não, não nos pergunte o porquê de o Presidente querer, tão obstinadamente, que o povo tome um remédio não comprovado cientificamente, não sabemos. Como também não sabemos em qual conluio ele se meteu para, mesmo com a desaprovação da ciência, continuar insistindo para que essa droga fosse ministrada aos brasileiros.

O seu amor por esse remédio é tão grande que ele optou por colocar no Ministério da Saúde um General que, acostumado em seguir ordens, cegamente, aceitou assinar o protocolo indicando a hidroxicloroquina como tratamento preventivo. Hoje, este mesmo General está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e convidado a dar explicações, dentre outras coisas, por esse ato insano, que colocou em risco a vida de tantos brasileiros. O Tribunal de Contas da União, também, pediu ao Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que explique o motivo de ter gastado dinheiro do Ministério da Saúde na compra de um medicamento que não foi recomendado pela ANVISA.

Bem, precisamos terminar este editorial, infelizmente não podemos continuar falando sobre as malfeitorias de Bolsonaro. Não porque elas se acabaram, mas sim por absoluta falta de tempo e espaço. Sendo assim, para concluir, vamos à última discrepância desse Governo: o gasto da Presidência da República com a alimentação. Segundo o portal de notícias UOL, o Governo Federal gastou em 2020, apenas com leite condensado, uma iguaria que o Presidente usa para passar no pão, em seu café da manhã, R$ 15,6 milhões. Pasmem, isso aconteceu quando a nossa economia já estava colapsando. No momento em que grande parte do povo brasileiro, praticamente, estava, e ainda está passando fome.

E tem mais, segundo divulgado pela Fiocruz, a dose da vacina da Universidade de Oxford custa 3,16 dólares. No câmbio de 27 de janeiro de 2021 o dólar estava custando R$ 5,40. Fazendo a conversão para o real daria R$ 17,06. Portanto, se você fizer uma conta rápida vai perceber que, somente, com o dinheiro que o Governo de Bolsonaro gastou com leite condensado daria para comprar, aproximadamente, 880 mil doses de vacina contra a COVID-19. Isso mesmo, com o dinheiro gasto com leite condensado, pelo Governo de Bolsonaro, daria para comprar, aproximadamente, 880 mil doses de vacina, “tá ok”?

Sintese: Somos muitos. Somos fortes.