Se mantiver lentidão na vacinação, Brasil só vai imunizar 70% da população em 2024

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Com apenas 1,5% da população vacinada, o país ainda enfrenta a falta de insumos, recursos, problemas na logística para a aquisição de vacinas de outros países

Por Redação CUT Nacional

Pelo ritmo atual da vacinação, o Brasil, que tem 9.522.132 casos confirmados do novo coronavírus e já perdeu mais de 231.561 vidas para a Covid-19, pode levar três anos para imunizar 70% da população contra a doença que segue em ritmo acelerado no país, com uma nova e mais agressiva cepa.

O país que vem registrando mais de mil mortes por Covid-19 há 18 dias seguidos – nesse domingo (7)), dia em que os laboratórios têm equipes reduzidas, foram registradas 492 mortes –  e tem oito estados com alta nas mortes – Goiás, Acre, Pará, Tocantins, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí – aplicou até gora 3,59 milhões de doses de vacina, o que representa 1,5% da população brasileira. Cerca de 25,6 mil pessoas já receberam a segunda dose.

Nesse ritmo, apenas em 2024 a situação voltará ao “velho normal”, segundo os cientistas. A falta de insumo, recursos, problemas na logística e burocracia tem dificultado a aquisição de vacinas de outros países. Os problemas são tantos que, das 10 milhões de doses prontas para distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), só 3 milhões foram aplicadas até a última sexta-feira (5).

O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) se movimenta com atraso para conseguir mais opções de imunizantes contra a Covid-19. A articulação acontece em meio a pressões de vários lados, incluindo o mercado, que vê a importância da vacinação para que seja possível retomar o crescimento econômico do país.

Desde o início da campanha de vacinação, o Brasil está vacinando cerca de 165 mil pessoas por dia, é um ritmo muito lento e aquém da capacidade, disse José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ao jornal O Globo.

Com falta de vacina e insumos, outro motivo para a demora é que alguns estados e municípios estão reservando a segunda dose da vacina para que as pessoas que já tomaram a primeira dose tenham o seu reforço garantido. O efeito disso é perverso: a escassez agrava a lentidão.

Brasil mal posicionado

Mal posicionado no combate à pandemia em razão da incompetência, e pela cegueira ideológica -, o Brasil largou com atraso na corrida pela imunização da população contra a Covid-19. Em uma nação com 212 milhões de habitantes, o ritmo de imunização e o volume de gente imunizada ainda é muito baixo.

Apesar disso, o Brasil é o 5º país que mais vacina pessoas por dia em números absolutos e está à frente de Alemanha, França e Itália, que deram a largada em dezembro. 

No entanto, Se for levada em conta a proporção em relação à população, o Brasil, com 1,5%, está muito atrás de países como Israel (57%) e Reino Unido (15%), mas já ultrapassou a Argentina (0,8%) e México (0,5%), que iniciaram as suas campanhas no fim do ano passado.

Até agora, o Brasil se ampara na vacina de Oxford/Astrazeneca, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan.

Mais de 500 pacientes de Covid-19 esperam leito no Amazonas

Os números de novos casos e de mortes pela Covid-19 no Amazonas continuaram altos na primeira semana de fevereiro. São mais de 500 à espera de uma vaga de internação de casos de Covid-19.

O Hospital Platão Araújo, referência no atendimento à Covid está acima dos 100% de ocupação, com leitos improvisados nos corredores e nas enfermarias.

Familiares de pacientes relatam o drama da falta de leito nas Unidades Terapia Intensiva (UTIs) de Manaus. Quando o estado do Amazonas passou pelo primeiro pico da pandemia, entre abril e maio de 2020, a Central de Regulação — sistema que monitora online o número de leitos disponíveis nos hospitais — chegou a ter no máximo 120 pacientes na fila por um leito. Agora são mais de 500.

O quadro se agrava também em Manaus por conta dos pacientes do interior do estado que chegam à capital amazonense. Há leitos improvisados nos corredores e nas enfermarias.

Rio ter a maior mortalidade por Covid-19 do país

O município do Rio de Janeiro amarga a taxa de mortalidade mais alta do Brasil, apesar de ter o maior número de médicos e de leitos hospitalares por habitante, é o que revela uma análise exclusiva da sanitarista Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisadora cruzou dados do SUS, do Monitora Covid-19 (Fiocruz) e da base Demografia Médica, em 1º de fevereiro, para traçar o quadro que permite relacionar a trágica estatística de óbitos no Rio aos problemas de gestão e a um sucateamento histórico do SUS.

Três dias após o estudo ser concluído, a capital, que já se mantinha num ritmo acelerado de mortes, superou São Paulo no ranking nacional de óbitos por coronavírus, apesar de a cidade vizinha ter mais infectados e quase o dobro da população.

O Rio de Janeiro é o primeiro estado com mais mortalidade, 256,31 mortes a cada 100 mil habitantes (escala usada pela epidemiologia por oferecer um recorte mais preciso). Em seguida, vem Manaus, com 255,41 por 100 mil habitantes. O terceiro é Cuiabá, com 216,80 por 100 mil.