A participação da mulher na política, bem, pelo menos no Brasil, é relativamente nova. Porém, quando falamos em política, aqui, não estamos nos atendo somente ao campo da disputa eleitoral. Nessa seara, ainda, infelizmente, a participação da mulher ainda é bem menos que a dos homens, embora, nos últimos pleitos, temos visto um aumento significativo da presença feminina, entretanto, muito aquém ao que, realmente, deveria.

Falamos, neste espaço, das políticas que garantam direitos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais para todas as mulheres. Na mesma toada do Plano Nacional de Políticas para Mulheres que foi lançado em 2005 quando tínhamos um presidente de verdade chamado Luiz Inácio Lula da Silva.  O plano ficou a cargo da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Nilcéa Freire.

O Plano traduzia em ações o compromisso assumido pelo Presidente Lula, quando de sua eleição em 2002, de enfrentar as desigualdades entre mulheres e homens em nosso país e reconhecia o papel fundamental do Estado, através de ações e políticas públicas, no combate a estas e outras desigualdades sociais.

Aludimos a esse fato não somente por puro saudosismo de um tempo em que as mulheres brasileiras eram tratadas com mais dignidade e respeito, mas também para anunciar que os movimentos populares e entidades da sociedade civil lançaram um manifesto que reúne as principais bandeiras de luta do Dia Internacional da Mulher em 2021, celebrado na próxima segunda-feira dia 8.

Na pauta, o texto inclui a revogação da Emenda Constitucional 95, do “teto de gastos”, a retomada do auxílio emergencial com valor de R$ 600 até o fim da pandemia e a derrubada dos vetos ao Projeto de Lei (PL) 735, para garantir apoio à produção de alimentos saudáveis, fomento e crédito emergencial para a agricultura familiar, a compra imediata de vacinas contra a covid-19 para toda a população e enfatizam a importância de defender o Sistema Único de Saúde (SUS).

O manifesta pede, ainda, o impeachment do presidente Jair Bolsonaro e a quebra imediata das patentes das vacinas contra covid-19, além de reafirmar pautas dos últimos “8 de março” no Brasil: o combate ao machismo, racismo, LGBTfobia e todas as formas de violência, justiça no caso Marielle Franco, legalização do aborto e revogação da Lei da Alienação Parental.  Esse manifesto é prova inconteste da transversalidade nas pautas da luta feminina.

As trabalhadoras sergipanas que compõem, em grande parte, a máquina pública, principalmente no magistério, e lutam, incansavelmente, contra os baixos salários, desmonte de suas carreiras e atrasos de pagamentos somam-se a esse movimento, pois Sergipe também está inserido neste retrocesso cultural, moral, político e social que assola o país, com um agravante: estão em um fogo cruzado de malversação. De um lado o Presidente da República, Jair Bolsonaro; do outro o Governador do Estado, Belivaldo Chagas. A dupla dinâmica do caos. Como diz a música de Tom Jobim: “é pau, é pedra…”, mas não é o fim do caminho. Por mais que eles odeiem as mulheres, a luta continua e continuará, companheiras. Vamos fazer de todos os dias um oito de março.

Sintese – somos muitos, somos fortes.