Conselho escolar reavalia proposta e nega implantação de ensino médio em tempo integral no C.E. Roque José de Souza

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O Conselho Escolar do Colégio Roque José de Souza, localizado no município de Campo do Brito, reavaliou e negou a atabalhoada tentativa por parte da Secretaria de Estado da Educação, Esporte e Cultura (SEDUC), de ofertara apenas o Ensino Médio em Tempo Integral, na unidade de ensino. A decisão foi tomada em assembleia ocorrida no último dia 4 de março.

O Conselho Escolar denunciou a forma impositiva e sem qualquer diálogo com a qual a SEDUC, por meio da Diretoria Regional de Ensino 3 (DRE3), tentou pressionar a comunidade escolar a “aceitar” a implantação do Ensino Médio em Tempo Integral.

Adesão às pressas e com pressão

Tudo foi feito a toque de caixa, sem qualquer preocupação de ouvir a opinião ampla de todos os segmentos que compõem o Conselho Escolar. Os Conselheiros relataram que no dia 18 de fevereiro foram convocados para uma assembleia que ocorreria no dia seguinte (19), no Colégio. Na tal assembleia foi apresentado, de maneira sucinta, o que é o Ensino Médio em Tempo Integral e como ele iria funcionar no Colégio Roque José de Souza.

A pressão para que tudo fosse decido ali, de bate e pronto, foi grande. Foi colocado, durante a assembleia, que o Conselho tinha apenas 48 horas para dizer se aceitava ou não a proposta da SEDUC de transforma o Roque José de Souza em uma unidade de Ensino Médio em Tempo Integral.

“Houve pressão, houve uma tentativa de empurrar goela abaixo dos conselheiros, presentes na assembleia do dia 19 de fevereiro, o Ensino Médio em Tempo Integral sem qualquer tipo de diálogo amplo. Há de se convir que uma mudança deste tipo, que afetaria de forma drástica a comunidade escolar, uma vez que altera completamente o funcionamento do Colégio, deveria no mínimo ser debatida abertamente e de forma transparente com estudantes, pais, mães, responsáveis, professores e demais funcionários do Colégio. Não se pode tomar uma decisão, que iria causar um grande impacto naquela comunidade escolar, sem sequer abrir um debate amplo, plural e democrático, sem dar tempo para qualquer tipo de reflexão ou questionamento. Ao operar dessa maneira a Seduc se mostra (mais uma vez) intransigente e autoritária”, avalia a coordenadora do SINTESE na região Agreste, professora Rita de Cássia.

Informações distorcidas

Para tornar a situação ainda mais grave, na assembleia do dia 19 de fevereiro, informações distorcidas foram passadas pelos técnicos da SEDUC e da DRE3 ao Conselho Escolar. Foi dito que a implantação do Ensino Médio em Tempo Integral não ocorreria em 2021. Mas alguns dias depois da assembleia a comunidade escolar teve uma desagradável surpresa ao ver a SEDUC anunciar que o Colégio Roque José de Souza passaria a atuar como unidade de Ensino Médio em Tempo Integral a partir deste ano.

Os técnicos da SEDUC e da DRE3 disseram, também durante a assembleia, que os professores e professoras que tivessem dois vínculos no estado poderiam cumpri-los no ensino integral, na mesma escola. No entanto, a informação passada pelos técnicos contradiz o que consta no edital de seleção para professores e professoras atuarem no ensino médio em tempo integral. No edital está posto que o professores ou professoras selecionados só podem atuar em um único vínculo, caso selecionado para o Ensino Médio em Tempo Integral. Este fato acarretaria na remoção de diversos professores e professoras que trabalham no Roque José de Souza, muitos deles há mais de 15 anos, para outras unidades de ensino e até para outros municípios.

Falta de estrutura e pandemia

Outro problema é a falta de estrutura física do Colégio Estadual Roque José de Souza para receber estudantes em tempo integral. O Colégio não possui refeitório, quadra esportiva, nem banheiros adequados para que estudantes passem o dia todo na escola. Além disso, a adesão iria gerar uma perda significativa de matrículas no Colégio, uma vez que a comunidade escolar mostrou forte rejeição a adesão ao Ensino Médio em Tempo Integral, recusando-se a renovar as matrículas na unidade de ensino.

E o mais grave de todos os problemas é que estamos vivendo uma pandemia, obrigar estudantes, professores e demais funcionários a ficarem o dia todo na escola aumentaria consideravelmente o risco de infecção pelo coronavírus.

Comunidade diz não

Diante desse conjunto de fatores o Conselho Escolar decidiu se reunir novamente em assembleia para dizer não ao Ensino Médio em Tempo Integral, no Colégio Roque José de Souza.

“A comunidade escolar se sentiu enganada. O Conselho Escolar após ter esse tempo para dialogar com seus segmentos percebeu que a adesão aos Ensino Médio em Tempo Integral não traria qualquer benefício. Professores e estudantes seriam extremamente prejudicados e o colégio acabaria virando um “elefante branco”, já que as matrículas seriam brutalmente reduzidas, pois a maioria dos estudantes do Roque vêm da zona rural ou trabalham no contra turno da escola, sem falar no fim do ensino noturno naquela unidade. A SEDUC erra mais uma vez ao tentar impor a uma comunidade escolar o Ensino Médio em Tempo Integral, sem fazer qualquer estudo e sem abrir o amplo diálogo.”, afirma a coordenadora do SINTESE, professora Rita.