A verdadeira justiça não deve fazer julgamento de valores. Não tem que ser boa nem má. Com perdão do pleonasmo, a justiça tem que ser justa. É confiando nisso que se pauta a sociedade. Sem esse pilar, não há organização social democrática que se sustente. Quando, por algum momento, seja o mais ínfimo instante que for, a justiça deixar um interstício onde, aí, possa se instalar alguma dúvida sobre sua legitimidade, começa a gerar uma insegurança jurídica.

Quando isso acontece, todos estamos correndo o risco de nos tornar Josef K, personagem do romance de Kafka, “O Processo”, em que um respeitável funcionário de um banco é preso de um modo súbito e estranho e tem que se defender de uma acusação que nunca lhe foi formalmente apresentada e sobre a qual não consegue obter informações.

Quando a justiça deixa de ser crível. Quando promove julgamentos e punições, não baseados em fatos, mas em evidências, ela dá um salto muito grande em direção ao abismo da anomia. A justiça corrompida, não cria heróis, cria justiceiros. E justiceiros agem ao arrepio da lei.

O Estado é o único que tem a prerrogativa da força. Seus agentes, ou seja, as pessoas que agem em seu nome, não podem, ou não poderiam, fazer uso desse poder em benefício próprio. Quando a justiça comete injustiça em nome dos ideais de alguns ou de alguém, mesmo que depois a verdade se restabeleça, mesmo assim, o dano já terá sido feito.

Precisamos estar atentos. A justiça não é uma senhora cansada sentada em frente a uma praça com os olhos vendados segurando uma balança. Isso, é o que querem nos fazer acreditar. No Brasil, atualmente, a justiça é uma mulher maravilha com seus superpoderes e com o seu laço mágico que produz suas próprias verdades.

Até quando o homem continuará sendo o lobo do homem? Até quando vamos admitir foras da lei falando em nome da lei? Não podemos capitular. Não podemos desistir de lutar pelo o que é certo, pelo que é direito. É preciso que a ordem se constitua. Não é a lei que tem que servir aos homens, são os homens que têm que servir à lei.

Sintese: somos muitos, somos fortes.