Estamos cansados de ouvir dizer que o trabalhador não se vê como uma classe, dito assim, de forma tão simples, pode-se pensar que a culpa é somente dele, do trabalhador, como se consciência de classe fosse uma fórmula mágica que se compra pronta em uma farmácia. Não, infelizmente não. Consciência de classe não é macarrão instantâneo, que fica pronto em três minutos. É um processo longo e doloroso pelo qual o ser humano ainda passa. Uns em estágios mais avançados que outros, é preciso que se diga e, outros uns, ainda, nem se despertaram para o fato de que ela é possível.

Quando saímos da solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica, com o advento da revolução industrial, donde o trabalho passou a ser, dizendo de uma forma bem simples, visto como uma engrenagem, na qual o trabalho de cada profissional passou a depender, direta ou indiretamente, do trabalho de outro, o mundo começou a tomar uma forma diferente.

A revolução industrial produziu de tudo, menos a igualdade entre os trabalhadores. E é sobre isso que gostaríamos de falar hoje, primeiro de maio de 2021. Um ano que herdou de seu predecessor uma pandemia, que veio para realçar, muito mais, as diferenças que estamos tentando apontar.

Voltamos a questão inicial, por que os trabalhadores não se veem como uma classe? Ora, se a resposta fosse tão fácil, o simples fato de a questão existir deixaria de ter sentido. Voltemos ao exemplo da pandemia. Alguns trabalhadores podem ficar em casa, trabalhar de home office e por nenhum momento ver em risco os seus respectivos empregos. Enquanto outros, são obrigados a sair de casa, colocar, nãos seus empregos em risco, mas, sim, as suas vidas, ao pegar ônibus superlotados, sem condições de, mesmo querendo, manter um centímetro sequer de distanciamento social. Estes precisam chegar ao emprego. São obrigados a se locomoverem para ganhar o pão de cada dia. Essas são as contradições do mundo do trabalho.

Há, ainda, aqueles trabalhadores que durante a pandemia perderam os seus empregos e tiveram que se contentar com o auxílio emergencial pago por um presidente déspota que só cedeu à realidade dos fatos, de que o auxílio era necessário, depois de enfrentar grande derrota política e ver o seu desejo de um futuro segundo mandato correndo risco. Começou pagando R$600,00, depois com o agravamento da pandemia, ao invés de aumentar a ajuda, ele diminuiu para R$250,00. Para ele, o Presidente, todos que precisaram desse dinheiro são vagabundos. E o auxílio é uma esmola.

O mundo do trabalho é desigual. E é essa desigualdade que impede que a sociedade capitalista entre em colapso. Enquanto uns trabalhadores ganham muito, e aqui não estamos fazendo juízo de valores e nem entrando na questão do mérito, mas sim constatando a realidade, outros ganham pouco e, ainda há aqueles que não ganham nada. Isso é preciso ser equacionado.

Hoje é primeiro de maio. Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que até então, conseguiram se manter vivos. Data expressiva como essa quando retiradas do seu contexto atual perdem o sentido. Por isso, acreditamos ser um dia propicio para discutir esse tema. Não trouxemos todas as respostas para as perguntas que fizemos, porque não as temos. Mas, na realidade, não era esse, mesmo, o propósito. Nosso desejo é, somente, deixar claro que se, ainda, os trabalhadores não se veem como classe, a culpa não é deles. Tudo é um processo. Tudo é evolução. E acreditem, esse dia chegará. Basta que não se perca a esperança e nem a vontade de continuar lutando.

Lembremos que até meados do século XIX, os trabalhadores jamais pensaram em exigir seus direitos trabalhistas para seus patrões, apenas trabalhavam. No Brasil, o Dia do Trabalhador só foi reconhecido em 26 de setembro de 1924 através do decreto nº 4.859 assinado pelo então presidente Artur da Silva Bernardes. A criação da CLT, Consolidação das Leis de Trabalho, foi instituída através do Decreto-Lei nº 5.452, em 1º de Maio de 1943, na gestão de Getúlio Vargas. Como dissemos no início deste editorial, a consciência de classe não é uma poção mágica que se compra em uma farmácia. Ela é um processo que está sendo construído.

A prova disso é que hoje, primeiro de maio de 2021, milhares de trabalhadores e trabalhadoras estão tomando as ruas e praças deste país em protestos por melhores condições de trabalho. Contra a reforma administrativa. Contra as privatizações que estão em curso. Contra o Governo de Bolsonaro. Estamos conquistando corações e mentes, e, assim, a consciência coletiva vai se formando, se transformando, se agigantando. Como já dissemos, tudo é um processo. Hoje, tomamos as ruas e as praças. Em breve, tomaremos o poder. Trabalhadores do Brasil, uni-vos.

Sintese: somos muitos, somos fortes.