Forçar o retorno às aulas presencias sem vacinação e sem condições sanitárias é sujar as mãos de sangue

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Está distante de ser um ‘exagero’ o mote levantado pelo SINTESE “Aula presencial sem vacinação é sentença de morte”, uma vez que vivemos em nosso estado (e em todo o Brasil) um dos piores momento da pandemia de Covid 19, com recordes de casos, internações e mortes.

O caos está instalado na saúde. De acordo com dados divulgados pelo site ‘Todos Contra o Coronavírus”, do Governo do Estado de Sergipe, atualmente 97,8% dos leitos de UTI da rede pública estão ocupados e 86,9% dos leitos de UTI da rede privada. Até a manhã desta sexta-feira, dia 7 de maio, a Covid 19 tirou a vida de 4.441 sergipanos.

Diante desse cenário calamitoso, professores e professoras da rede estadual e de 74 redes municipais (representadas pelo SINTESE), deliberam greve, no último dia 4 de maio, contra o retorno às aulas presenciais; pela vida; por vacinação para professores e demais trabalhadores da educação, por testagem em massa de estudantes e por condições sanitárias nas escolas da rede pública.

Na próxima segunda-feira, dia 10, o SINTESE realiza ato simbólico, em frente a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC)

Mãos sujas de sangue

O Comitê Técnico Científico, crido pelo Governo do Estado de Sergipe, para tratar das demandas relativa à pandemia de Covid-19, em nosso estado, decidiu liberar o retorno das aulas presenciais, para turmas do 1º ano e 2° ano, do Ensino Fundamental, em escolas da rede estadual de ensino, para a próxima segunda-feira, dia 10.

No caso dos municípios, o Governo do Estado deixou livre para que os gestores retomem às aulas presenciais da maneira que quiseram, também a partir do dia 10 de maio.

Dados do Censo Escolar de 2020 dão conta de que cerca de 44 mil estudantes estão matriculados no 1° e no 2° anos do Ensino Fundamental, em Sergipe. Se dentro desse número colocarmos todos os trabalhadores e trabalhadoras da educação envolvidos para assegurar o retorno às aulas presenciais; os familiares destes trabalhadores e os familiares dos estudantes; estamos falando de um universo de centena de milhares de pessoas que estarão expostas, de forma deliberada, ao vírus da Covid-19.

O cenário é grave e quando ampliado e mostrado em números é assustador.

Pesquisadores e professores dos departamentos de Sociologia e Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fizeram uma simulação dos impactos da volta às aulas na propagação do Sars-Cov-2.

Os resultados mostram que em um grupo de crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos um só aluno infectado, em uma sala com outros 20, tem potencial para contaminar outros 60 do círculo familiar dos estudantes em apenas 15 dias. Isso com todos eles usando máscara no colégio. Sem o equipamento de proteção, seriam 90 os infectados em apenas dez dias.

“A pergunta que não sai de nossa cabeça é: como o Comitê Científico, criado pelo governo do nosso estado, pode deliberar pela retomada das aulas presenciais diante de tudo que estamos vivendo neste momento da pandemia? Para nós fica claro que Belivaldo Chagas reza a cartilha genocida do Governo Bolsonaro. Manter o retorno às aulas presenciais sem assegurar a vacinação, sem garantir todas as condições de segurança a estudantes, professores e demais trabalhadores da educação é sujar as mãos de sangue”, aponta o diretor do departamento de base estadual do SINTESE, professor Amilton Júnior.

Aulas remotas, vacinação e condições sanitárias

As aulas remotas vão continuar a acontecer, a greve é apenas em relação a retomada das aulas presenciais sem as devidas condições de segurança.

Professores e professoras seguem denunciando a total falta de condições e o parco (ou nenhum) apoio dado pelo Governo do Estado, por prefeitos e prefeitas para garantir a estrutura material necessária e o acesso de professores, professoras e estudantes as aulas remotas. 

Muitos estudantes sequer têm um aparelho celular para ter acesso às aulas. Já professores e professoras seguem utilizando seus equipamentos pessoais, suas franquias de internet e vendo suas contas de luz aumentar a cada mês.

A luta do magistério de Sergipe é por um retorno às aulas presencias com segurança, com respeito a vida. Para isso é fundamental que seja garantida a vacinação para os trabalhadores e trabalhadoras da educação, com prioridade para aqueles que estão lotados nas escolas.

É também essencial que, antes de se pensar em um retorno, o Governo garanta a testagem em massa de estudantes, e claro as condições sanitárias necessárias para esta retomada.

“O retorno às aulas presencias, com respeito a vida, passa pela vacinação dos trabalhadores e trabalhadoras da educação. Passa também pela testagem em massa e periódica dos estudantes. As condições sanitárias são fundamentais. E condição sanitária não é apenas totem de álcool em gel na porta, é assegurar pia para lavar as mãos, sabonete líquido, descarga nos banheiros, executores de serviços básicos para fazer a limpeza das escolas e tudo mais que é necessário. Parece algo simples, mas para a escola pública não é, já que a maioria de nossas escolas têm uma estrutura precária. Ou o Governo do Estado encara essa realidade de forma séria ou irá assinar a sentença de morte de professores, estudantes, funcionários de escola e de seus familiares”, alerta a presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz.