É incrível como conceitos tão caros à população brasileira foram instrumentalizados por um político que, agora, nota-se, ou melhor, constata-se, não estar nem aí para tudo aquilo que pregava em sua campanha política: patriotismo, família e Deus. Essas palavras não cabem em frases onde consta o nome de Jair Bolsonaro.

Ele não é patriota, pois deixou que em seu Governo fossem cobradas propinas para aquisição de vacina. Não presa pela família, pois se o fizesse, a dele não estaria envolta em processos judiciais e nem com milicianos. Não é um deísta, porque se acreditasse em Deus não deixaria mais de meio milhão de brasileiros e brasileiras morreram por causa de sua negligência e negacionismo.

Bolsonaro estabeleceu o pior escambo político que esta república já teve o desprazer de presenciar. Em troca de sustentabilidade para seu governo pelo centrão deixou que alguns políticos do bloco se apropriassem do ministério da saúde e, de maneira vil, tentassem desviar dinheiro da nação.  Só não conseguiram porque foram impedidos, no último instante, por um funcionário público com crise de consciência, que resolveu delatar a operação fraudulenta.

É triste assistir a morte de tantos brasileiros e brasileiras e saber que elas poderiam ser evitadas se Bolsonaro agisse como um patriota e não como um espoliador. Já era penoso pensar que o Presidente dificultou a compra das primeiras vacinas a ele oferecidas por ser contra a ciência e acreditar na tolice da imunidade de rebanho, imaginem, agora, o quanto dói saber que tudo isso era por dinheiro.

As vacinas foram rejeitadas porque, como tudo leva a crer, os laboratórios não aceitaram distribuir com os comparsas do Presidente parte do valor de cada vacina que, notem, seriam pagas com o nosso dinheiro. Toda sorte de entrave, então, foi colocada no caminho da negociação, com o conhecimento de Bolsonaro.

No entanto, com o laboratório da vacina indiana todo o processo foi acelerado. O dinheiro para o pagamento foi empenhado e o contrato assinado antes mesmo da vacina ter sido aprovada pela Anvisa e com clausulas que estavam fora dos padrões, como o adiantamento de 45 milhões de dólares. O Governo, entre muitas aspas, “honesto” de Bolsonaro começava, assim, a mostrar sua cara.

O jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem na noite da última terça-feira, dia 29, em que um representante de uma outra vendedora de vacinas contra a Covid-19 afirma que recebeu pedido de propina ao oferecer doses para o Ministério da Saúde do Governo de Jair Bolsonaro. O diretor de logística do Ministério teria pedido 1 dólar por cada dose de vacina. Se aceito, a vacina seria comprada pelo Governo brasileiro.

Isso chega a ser escatológico. A vida do brasileiro e brasileira foi precificada: 1 dólar. Sim, 1 dólar é quanto, para o governo Bolsonaro, vale a vida do nosso povo. Por isso, aqui vai a nossa dica, se você votou em Bolsonaro e pretende votar nele de novo, saiba que sua vida vale menos que isso, pois você deixará de ser um simples eleitor e se transformará em um cumplice do maior genocídio que o mundo já viu. Pense nisso.

Sintese: somos muitos, somos fortes.