A proposta inicial deste comentário era fazer, junto a vocês ouvintes, uma reflexão sobre a liberdade, já que estamos no mês de setembro e o dia 07 é comemorado o dia da independência do Brasil. Entretanto, esbarramos em um obstáculo que, a priori, nos pareceu instransponível, algo que poderia pôr fim a nossa tarefa de, nesse pequeno espaço que temos, dialogar com vocês sobre liberdade.

Adiantamos que não foi o fato de o conceito de liberdade ser profundamente subjetivo o impeditivo para essa missão. Não, não foi. Porque, por mais subjetivo que seja, a palavra liberdade, tem, em todos os lugares, em todas as línguas, o mesmo valor semântico. Portanto, o termo liberdade é uma verdade. E se vocês vierem nos perguntar o que é a verdade, nós responderemos que verdade é algo que não pode ser contestado, por exemplo: a água molha; o fogo queima etc. O que se interpôs entre nós e a ideia de falar de liberdade, hoje, foi o desejo de não mentir, já que a palavra liberdade foi instrumentalizada pelo Governo de Bolsonaro. E em seu nome ele está preparando um golpe. Bolsonaro está tentando fazer da palavra liberdade sinônimo de ditadura. Isso é um paradoxo.

Existem pessoas, como o Presidente Jair Bolsonaro, que não conseguem viver em liberdade e muito menos respeitar a liberdade alheia. Para sujeitos como ele, liberdade é uma palavra que só tem sentido se for para dar sustentação a seus atos, sejam eles quais forem. Ele não entende que em uma democracia a sua liberdade termina onde começa a do outro. Também, não consegue, Jair Bolsonaro, perceber que um presidente da república pode muito, mas não pode tudo. Ele também não consegue aceitar que o nosso sistema presidencialista de governo tem pesos e contrapesos, e que ao seu lado, no comando da nação, existem outros dois poderes: o legislativo e o judiciário.

Essa sua falta de lucidez está colocando em risco não só a harmonia entre os poderes, mas também, e principalmente, a harmonia entre os brasileiros, pois, acreditem ou não, ainda existem fanáticos que dão guarida às ideias nada patriotas de Bolsonaro. O Presidente está arregimentando pseudos militares para marcharem com ele na contramão da história, pessoas que são capazes de comprar fardas militares pela internet para serem usadas nas manifestações golpistas, programadas para acontecer dia 07 de setembro, forjando a impressão de que o exército e os militares comungam com a mesma sandice que eles. O que não é verdade. E isso também não tem nada a ver com liberdade de expressão, na realidade, isso é um atentado a ela, já que o objetivo é instaurar uma ditadura em nosso país.

Porém, pelo que tudo indica, a sociedade civil brasileira já se atinou para o fato de que nossa democracia corre perigo se Bolsonaro continuar no poder. Seus apoiadores a exemplo das entidades do agronegócio brasileiro divulgaram, na segunda-feira passada, um manifesto próprio em que defendem o estado democrático de direito garantidor da “liberdade empreendedora”, o inverso de “qualquer politização ou partidarização nociva” que agrava os problemas do País. A FEBRABAN, Federação Brasileira de Bancos, também lançou um manifesto, assim como a FIESP, Federação das Indústria de São Paulo, também vem na mesma pegada. Bolsonaro já não atende aos seus próprios. Governadores de 13 estados mais o Distrito Federal lançaram uma nota no dia 16 de agosto em defesa do STF. Empresários e artistas também lançaram manifestos contra as ameaças de Bolsonaro, soma-se a isso o fato de mais de 1.550 pessoas e mais de 550 organizações assinaram pedidos de impeachment do presidente. O povo está tomando as ruas em protestos cada vez maiores.

O despertador da história soa em nossos ouvidos. Está na hora de acordar. A democracia não pode ser uma fábrica de ditadores. Se quisermos manter a palavra liberdade e todos os seus significados fazendo sentido para nós brasileiros, precisamos tirar Bolsonaro da Presidência. E que este seja o último político brasileiro a se aproveitar do regime democrático para se eleger, e depois tentar destrui-lo. Por isso, o Sintese está e vai continuar na luta. Enquanto Bolsonaro não cair, nós vamos continuar chacoalhando a árvore da indecência que é o seu governo.

Sintese: somos muitas, somos muitos, somos fortes.