Calor e escuridão no purgatório chamado Colégio Estadual Walter Franco na cidade de Estância

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Quando teremos escolas com aparência de escolas e não de presídios?

Rubens Marques de Sousa (Prof. Dudu)

Professor do Colégio Estadual Walter Franco e dirigente do SINTESE

Estância-SE, 15 de Setembro de 2021

Na entrada do Colégio Estadual Walter Franco na cidade de Estância o visitante se depara com uma placa de conclusão e reforma do “Centro de Excelência” datada de junho do corrente ano.

O problema é que a placa chegou primeiro do que a conclusão da reforma, uma vez que espaços como a secretaria, supervisão, biblioteca e as salas de aula foram transformadas em saunas gratuitas por conta do calor insuportável provocado pela substituição das janelas de madeira que eram localizadas a um pouco mais de um metro de altura a partir do piso, por pequenas vidraças na parte superior da parede coladas ao teto.

A penúltima reforma feita no referido colégio já havia deixado um problema na acústica das salas de aula por conta do rebaixamento da altura das paredes nos corredores, fazendo com que os sons das falas dos professores e alunos não encontrem qualquer barreira sonora. É um caos. 

No projeto da reforma estava incluída a instalação de condicionadores de ar, mas até aqui nada foi feito e os professores e estudantes que retornaram as aulas presenciais encontraram esse cartão de visitas.  Muito desanimador.

Os alunos têm reclamado muito, inclusive ameaçando desistir das aulas presenciais e continuar com a opção de fazer as atividades escolares em casa.

Além do calor e da péssima acústica a entrada do colégio (um dos maiores da rede) está às escuras, mas mesmo assim a obra está como concluída conforme placa de “inauguração”.

Como perguntar não ofende; ou ofende? Na Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura – Seduc  e no Palácio de Despachos as salas são climatizadas ou o governador, secretário e o staff do governo trabalham no calor?

Depois de décadas as escolas passaram a receber ventiladores que na prática cria mais problema do que solução, porque não cobre toda a sala e só serve para espalhar o mormaço, e agora nem o velho ventilador existe mais porque foi retirado durante a reforma.

Tempo não faltou a Seduc para resolver as demandas reprimidas historicamente e se não resolveu foi por falta de planejamento e descaso com a Educação.

Quando teremos escolas com aparência de escolas e não de presídios? A arquitetura das escolas geralmente se parece muito como penitenciárias com longos corredores e salas/celas paralelas.

A sirene que marca o final de cada aula é igual ao toque de recolher das prisões e são raríssimas as unidades escolares que ao invés da sirene estridente usam música. 

Quando eu era garoto e estudava no Grupo Escolar Júlio Leite (rede municipal de Estância) eu tinha pavor do toque da sirene (igual do Colégio WF) nos dias da sabatina que geralmente aconteciam após o recreio. Dava frio na espinha.

Para a atual juventude que felizmente não viveu essa prática de tortura física e psicológica, consistia em a professora fazer perguntas e aquele que errasse a resposta tomava bolo de palmatória ou de régua de madeira nas mãos daquele que acertava.

Na Matemática o aluno ia ao quadro e se não soubesse a resposta do problema caia na palmatória ou na “reguada”. As mãos saiam inchadas e com hematomas.

Os pais naquela época achavam o método importante para obrigar os jovens a estudar, quando deveriam condenar e denunciar as agressões. 

Certa vez eu errei uma questão e reagi ao aluno que iria me dar de palmatória na mão, dando-lhe um soco e a professora (ainda está viva) me atacou com uma régua na cabeça por conta da “indisciplina”. Eu tinha menos de 10 anos.

Além de ser agredido na escola fui novamente castigado em casa pelo meu pai com uma surra de taca de couro cru feita sob encomenda em Zé Sapateiro (ainda vivo).

Vou solicitar ao SINTESE que envie esse texto para a Seduc e sugerir a substituição da velha sirene por algo menos agressivo. A música clássica é uma boa pedida para acalmar a juventude.

Quanto ao calor caso o problema não seja resolvido vou dar aula embaixo das árvores que apesar de não ser adequado é melhor do que o purgatório.

Em tempo: completei o meu período para a aposentadoria em 2018, mas até agora não me afastei por erros da Seduc na contabilização dos tempos. Uma lástima.