Existe um filme indiano que conta a história de um rapaz, Jamal Malik, de 18 anos que teve uma infância muito difícil, lidando com a violência e a miséria na Índia. Ele é chamado para participar da versão indiana de um famoso programa de TV. Sua experiência de vida o ajuda a responder as perguntas do show. Por ser de uma família humilde e deter muito conhecimento, foi acusado de fraude. A polícia desconfia da honestidade de Jamal, que deve provar sua inocência. Não vamos contar o final do filme, aqui, para não dar spoiler. O nome do filme é: “Quem quer ser um milionário?”

Partimos deste princípio, de busca por respostas, para discutirmos o objeto do editorial de hoje: o ensino público brasileiro. Em um país onde a educação está sendo desmontada; plano de carreira sendo desrespeitado desencorajando os profissionais a não continuarem seus aperfeiçoamentos; onde o pagamento do salário dentro do mês é uma exceção e a aposentadoria é vilipendiada o tempo todo; a pergunta que vale milhões de reais é: quem quer sem um professor ou professora de escola pública hoje em dia?

Antes de responder a essa pergunta, pense um pouco sobre isto que vamos colocar:  se a educação não muda o mundo, mas muda pessoas e pessoas mudam o mundo, como dizia Paulo Freire, como o pobre vai poder mudar o seu mundo se não tiver dinheiro para pagar uma escola particular caso o ensino público acabe nas mãos da iniciativa privada? A resposta é simples: não vai. O pobre estará fadado a viver na eterna miséria, sem perspectiva de melhorar de vida, pois essa só vem por meio da educação.

Agora, vamos para um outro lado dessa questão. A maioria dos professores e professoras no Brasil encontra-se nas escolas públicas. Se o ensino público acabar, onde irão trabalhar esses profissionais? Sim, porque as escolas particulares não vão dar conta de absorver tantos professores e professoras. Assim, estamos falando não somente do fim da educação mas também de uma classe: os educadores.

Com o fim da profissão docente, com a reforma do ensino médio, aonde seu filho irá para a escola somente aprender o suficiente para não engraxar a bota do patrão com a cor errada, e com a PEC 32, que acaba com o funcionalismo público e consequentemente com o ensino gratuito, a nova estratificação social brasileira começa a tomar forma. Perceberam? Sem educação vamos virar um país composto por castas. Os ricos serão sempre ricos e pobres serão sempre pobres. Sistema que vigorou durante muito tempo na Índia, cenário do filme “Quem quer ser um milionário”.

Por isso, os professores e professoras ao invés de comemorarem a data que os homenageiam, dia 15 de outubro, foram à luta em defesa do ensino público e contra a PEC 32 e a reforma administrativa de Bolsonaro. Porém, os profissionais da educação, sozinhos, não serão suficientes para impedir a destruição do magistério. Precisamos que todos entrem nessa luta. Pois, sem educação pública as elites ganham e a maioria do povo brasileiro perde. Lembre-se: se a PEC 32 passar o ensino público vai acabar

Sintese: somos muitas, somos muitos, somos fortes.